Esse estudo introdutório em forma de Laudo Dissertativo, é um primeiro apontamento sobre a possibilidade de uso do Município de Nova Lima em caso de uma situação nacional de “Código Vermelho”, com iminência de vitimização por guerra, em que seja necessário a criação de localidades com propósitos defensivos e de resistência. Esse artigo introdutório visa a trabalhar um universo conceitual de possibilidades de Edge Cities que podem ser explorados em futuras necessidades se houver algum dia algum recrudescimento das diretrizes protetivas nacionais, e dentro de uma abordagem de redução de custos operacionais e contínuo desenvolvimento de uma resistência partisana. Embora o conteúdo deste artigo possa parecer assustador aos leigos no assunto Geoestratégia, as observações aqui feitas são extremamente positivas e otimistas para uma meta que considere a vitória como única opção.

Validade

  • Acredito que 10 anos seja o limite máximo para a revisão conceitual deste artigo, mas não observada mudança populacional muito crítica em aspectos de criminalidade e impactos sociais graves, e a cidade crescendo em níveis mais harmônicos, acredito que se possa estender até 50 anos, uma vez que o crescimento populacional de Nova Lima possui um baixo trend secular,  talvez porque a despeito das vantagens, tenha um clima frio que não agrade todo o fluxo de migração interna do Estado, além do fato de que a despeito das vantagens sociais e ambientais, que não seja uma localidade tão visada para a busca de emprego como são as capitais dos Estados, que tendem a receber fluxos migratórios maiores em menor tempo e a observar saltos populacionais mais repentinos. Lembrando que contextos extremos podem mudar esse panorama.

Potenciais Defensivos Terrestre e Aéreo

  • Cidade: Nova Lima
  • Cidade mais próxima: Belo Horizonte, capital do Estado.
  • Estado: Minas Gerais
  • País: Brasil

Nova Lima é um município dividido por áreas extremamente montanhosas e áreas ainda recobertas por florestas, ambos os contextos potencializam diferentes Táticas Recorrentes de Guerrilha Partisana, como a criação de escaramuças em meio a floresta, ou a criação de fortificações de montanha, inclusive com baterias antiaéreas. A presença da mineração deixará um legado de difícil solução que são a grande malha subterrânea de túneis, que no entanto podem ser adaptados para bases militares subterrâneas semelhantes ao Complexo da 22 Wing CFB North Bay, base subterrânea canadense que estaria vinculada ao projeto NORAD. A pré-existência da grande rede de túneis de mineração elimina um imenso custo operacional em Engenharia Geológica para o estabelecimento de uma base semelhante. Em caso da necessidade de implantação de uma Diretriz Defensiva integrada às premissas de segurança de projetos de detecção aeroespacial como NORAD, a cidade de Nova Lima possui condições pré-existentes favoráveis para a drástica redução de custos e a diligente instalação de infraestruturas dentro da proposta de imitação da 22 Wing CFB North Bay.

O relevo em declive homogêneo formando uma cratera na região da sede do município se torna extremamente positivo para a defesa de bases de Artilharia Antiaérea que sejam munidas de detecções de alta tecnologia, não-visuais, pois essa região durante muitos meses ao ano é comumente recoberta por brumas tradicionais à região, tornando a cidade invisível por aeronaves ou outros veículos semelhantes que voem por sobre ela, mesmo por terra, nesses momentos, a visão da cidade pode ser impossível, pois a bruma cobre a tudo dando a impressão de ser um mar com as montanhas mais elevadas se sobressaindo como ilhas em meio à forte e densa neblina. Em um panorama de armas com detecções não-visuais, baterias anti-aéreas estariam em total vantagem perante aeronaves desprovidas de meios semelhantes de detecção ou que possam ser surpreendidas enquanto fazem o escaneio da superfície terrestre. Baterias munidas dos canhões Laser desenvolvidos pela Lockheed-Martin ou outras empresas com tecnologias semelhantes, se tornariam praticamente inexpugnáveis em meio a condições climáticas favoráveis, acredito que a grande quantia de túneis favoreceria em algumas localidades a camuflagem desses canhões com certo grau de profundidade em solo, maximizando também as chances de sua camuflagem geológica em termos eletromagnéticos, usando as próprias peculiaridades do isolamento em túneis de prospecção de minério de ferro e outros metais para dificultar a detecção das peças eletrônicas desse tipo de canhão.

A grande quantia de montanhas e picos, favorece a distribuição de baterias antiaéreas automatizadas em modelo de drone ou mesmo com tropas regulares, canhões laser da Lockheed-Martin ou outras empresas, que fossem fixados nos cumes dessas montanhas, de modo sensório, automatizado, em rede ou com tropa de controle, como se decidisse, poderiam fazer vasta área do município um bunker populacional praticamente inexpugnável ou de difícil combate em caso de ataques aéreos, permitindo um Corredor de Fuga de Belo Horizonte pela proximidade e integração viária pré-existente ao Centro-Sul de Belo Horizonte. O município de Nova Lima, de extensão ampla, além de permitir a criação de bunkers em situações de montanha e floresta, ainda permite acesso rápido a outros municípios como Brumadinho, Rio Acima, Sabará e Itabirito, criando possibilidades de fuga e evacuação com maiores possibilidades de controle defensivo dos contingentes populacionais deslocados do que outros municípios vicinais. Desses municípios, Brumadinho, Sabará e Itabirito já possuem condições em desenvolvimento econômico e humano para prover continuidade operacional satisfatória na proteção de contingente em fuga, ou devido a situações terrestres semelhantes, operacionalizar resistências de modo cooperativo e colaborativo, permitindo inclusive o planejamento de um Cinturão Defensivo de maior envergadura, agregando esses outros municípios e outros aos quais esses se vinculem.

Potenciais Culturais e Populacionais

De população entre 80.000 rumo a 90.000 habitantes, o município de Nova Lima não ocupa densamente suas vastas terras, reduzindo a possibilidade de Impacto Demográfico e Social em caso da necessidade de fixação de contingentes de tropas de Forças Armadas, permitindo inclusive a criação de Edge Cities militares, sem que essas significassem incômodo imediato à população autóctone. Muito pelo contrário, a despeito de alguma resistência conservadora meramente ideológica, acredito que benefícios como hospitais militares, escolas técnicas militares, e estrutura EAD ou presencial universitária de Escola Superior de Guerra além da óbvia e imediata melhoria na Segurança Pública, seriam benefícios que logo receberiam substancial apoio autóctone, uma vez que a carência dessas deve ampliar com o aumento populacional ao longo de anos ou décadas, que não tem acompanhado o crescimento populacional, gerando já com a população atual problemas sociais e de desigualdade de renda, e aumento da criminalidade. Embora essa estimativa possa mudar em governos vigente ou futuros, estatisticamente falando o crescimento populacional de Nova Lima não tem sido acompanhado do desenvolvimento social ao menos em critérios igualitários. Caso esse contexto se perpetue até uma situação de “Código Vermelho”, a chance de contingentes de Forças Armadas preencherem as lacunas sociais é maior que de gerarem conflitos. Em caso de municípios densamente povoados, haveriam mais conflitos demográficos do que benefícios porque os benefícios trazidos dificilmente preencheriam as necessidades prementes, portanto é mais fácil planejar uma ocupação gradual com transferência de benefícios sociais infraestruturais em um município de população menor mesmo que com problemas crescentes do que tentar adaptar estruturas já críticas de uma população maior, aonde a pré-existência de criminalidade em estado crônico é mais previsível que em um contingente populacional autóctone menor.

No aspecto Antropológico a região de Nova Lima, possui um passado Britânico ainda presente na identidade cultural, mesclado a influências de outros povos diversos como portugueses, italianos, húngaros, galegos, bascos, espanhóis castelhanos, e outras etnias, além de hoje receber pessoas de outras regiões do Brasil, favorecendo a adaptação cultural de tropas de origens semelhantes. Por ter mescla étnica e cultural desses aspectos mas preservar por esforço próprio uma identidade Britânica, a cidade de Nova Lima, se torna potencial para contingentes estrangeiros de composições culturais semelhantes em especial o Canadá, que é uma nação com imensa mestiçagem étnica e cultural que também preserva um vínculo com a identidade Britânica. Mas contingentes de países Europeus, em teoria mais tradicionais que os Norte-Americanos, talvez se sentissem bem acomodados também em Nova Lima, a depender é claro dos países. Como os norte-americanos já tiveram bases com bom sucesso operacional e de convivência humana em níveis razoáveis no Nordeste Brasileiro, durante a Segunda Guerra, acredito que a pré-existência de imigrantes Nordestinos em Nova Lima, seja uma situação potencial para a fixação de bases dos EUA que se focassem dentro dos mesmos projetos das bases anteriores, pois já conhecem as experiências culturais com essa regionalidade brasileira, e ainda existe relação de intercâmbio. Além do mais se repetido o mesmo projeto, a tendência é dos EUA investirem vasta quantia de recursos financeiros numa hipótese como essas, como investiram cerca de 100 milhões de dólares no Sistema Siderúrgico Brasileiro e 200 milhões de dólares para aquisição de artefatos bélicos após os “Acordos de Washington” (1942-1945) darem direito aos EUA de fixar bases em cidades como Recife, Parnamirim e Natal. Empresas como VALE e CSN experimentaram crescimento nessa época graças aos acordos de benefícios financeiros feitos pelos EUA para a fixação de bases militares no Brasil. Então supondo que os EUA tenham preocupação em facilidades de adaptação além das vantagens já apresentadas defensivas, que Nova Lima também seria uma boa opção, inclusive dentro da ótica de uma defesa integrada a NORAD, pela possibilidade de estabelecer as mesmas infraestruturas e superestruturas já experimentadas no Nordeste, e assim reduzir ainda mais as possibilidades de impactos sociais. E não creio que Nova Lima pudesse experimentar um contexto semelhante ao de Guantánamo, porque há mais pontos em comum que em conflito, e não seriam áreas em beligerância, mas lutando lado a lado.

Benefícios Econômicos e Tecnológicos

  • Nova Lima já dispõe no momento de uma rede clínico-hospitalar preliminar em nível de avanço de médio, pois apesar de alguns hospitais terem especialização em determinadas áreas, ainda se é dependente de Hospitais como o Hospital das Clínicas ou o João XXIII, que poderiam ser substituídos por melhoria médica e hospitalar dos pré-existentes acredito eu sem um investimento impossível de se reunir, em particular no caso de acordos internacionais;
  • Nova Lima já possui rede viária asfaltada bastante ampla;
  • Nova Lima já possui proposta a fixação futura de um aeroporto, embora devam ser observados os impactos ambientais e sociais desse caso venha a se instalar no local que foi sugerido, e eu pessoalmente sugeriria Rio Acima ou Brumadinho, até mesmo para reduzir os riscos com brumas;
  • Nova Lima já possui ampla infraestrutura de ensino público reduzindo drasticamente os investimentos em sua melhoria;
  • Nova Lima já possui uma vida econômica própria de nível médio, pois consegue gerar emprego em si própria mas ainda possui variados pontos de dependência em relação a outras cidades inclusive para fornecimentos essenciais, o que poderia ser melhorado por uma estrutura militar.

OBSERVAÇÃO

  • Este artigo é introdutório e existe a possibilidade de sua complementação futura.

 

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O trabalho Código Vermelho: Nova Lima, MG: Vantagens Geoestratégicas de Gustavo Augusto Bardo está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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Dando continuidade ao apelo para que eu também escreva sobre História mais uma vez, desenvolvi então o que talvez se torne uma série de artigos com algum esparsamento de tempo ou de inspiração, a qual dou o nome de “Nova Lima Redescoberta” pois enseja na sua intenção científica o desejo de trazer aos que como eu aqui habitam, seja por nascimento ou migração, eu ainda aqui tendo algumas parcas raízes familiares de antanho, bem antes até que muitos outros migrantes haha, de então saberem coisas esquecidas ou deixadas aos Acadêmicos conhecerem, e que tragam alterações conceituais profundas no modo das gentes daqui se verem.

Muita gente parece desconhecer que um dos maiores cientistas do mundo aqui já esteve, quando fala dos imigrantes que formaram Nova Lima, do seu passado colonial bastante apagado pela carência de pesquisas, ou se exaltando no passado minerador que no entanto ainda continua atrelado à cidade por diversas dependências econômicas; pois é verdade, que no Século XIX, por estas terras caminhou com olhar perscrutador Antropológico e matemática atenção Geográfica, o grandioso e de porte de renome internacional, Richard Francis Burton, descobridor do Lago Tanganica, um dos Grandes Lagos que formam como afluentes da nascente, ao Rio Nilo.

Em seu livro “Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho”, Richard Francis Burton gastou cerca de quatro capítulos para falar sobre o que se conhece hoje como Nova Lima, tendo a mina de Morro Velho e suas redondezas como referência, descreveu hábitos, a urbe, e fez comentários humanistas de um expedicionário que se interessava imensamente pela variabilidade cultural, destoando de boa parte dos Acadêmicos de sua época.

Aqui farei uma resenha desses capítulos.

Voltemos ao “Capítulo XX – Viagem para a Mina de Ouro de Morro Velho”, em que Richard Francis Burton, descreve sua viagem pela Vargem do Cocho d’Água, lugarejo segundo ele outrora de um Tenente Domingos Soares, “um pequeno fazendeiro crioulo” (*crioulo era todo mundo nascido no Brasil ou no império independente de sua mistura genética), “na antiga estrada de Ouro Preto ao então Tijuco”, ele diz que ali haviam 16 ranchos produzindo “cana-de-açúcar, boas batatas e muita lenha para a grande mina inglesa”, fala que por estas bandas foi hospedado por um José Clemente Pereira que a essa época tinha 12 filhos e até fez questão de registrar o rosnado furioso que a cadelinha “Negra” lhe deu!

Ali era muito importante a cachaça, e se recusavam a misturá-la, precisava ser bebida pura, hábito que o expedicionário Richard Burton vincula aos brasileiros, mas na sua sinceridade científica reclama do processo de produção local não poupando críticas, o que faz destes capítulos um descritivo também de problemas de produção:

“Cachaça” ou “caxaça”, a “cachass” dos estrangeiros, é a “tafia” dos escritores franceses, (…) A cachaça é o “schnapps”, o “kwass”do Brasil. O tipo mais comum é destilado de refugo de melaço, metido em um alambique velho como as pirâmides e rico em azinhavre. O peculiar óleo volátil ou éter não é retirado da superfície; o gosto é de cobre e fumaça em igual proporção, e, quando a catinga contamina a bebida, não sai nunca mais. Se assim não fosse, poderia ser aceita na Europa, como a aguardente de milho do Canadá e a aguardente de batata de Hamburgo, da qual é feito o verdadeiro conhaque. ( página 169)

Mas em seguida ele também fala da cachaça feita de cana-caiana e da cachaça feita de cana madeirense à qual ele chama de “crioulinha” ou “branquinha”, que ele diz que é mais “fresca” e faz menos mal. A cachaça era bebida como um feito heroico a despeito de seus males à saúde, mas também era usada “para banhos em caso de insolação ou para tratar das mordeduras dos insetos”, e diz que era costume o hospedeiro colocar uma garrafa de cachaça ao lado da bacia de água quente.

Apesar das críticas à maneira de produção, ele ainda gasta um bom tempo de escrita falando do “restilo” ou redestilação da cachaça para remover o cheiro do melaço, que era chamada de “vinho brasileiro”, e ainda fala de outro processo de redestilação  chamado “lavado” que consistia em ser “destilado em argila queimada, e não se torna assim, álcool absoluto”.

Ele fala que haviam muitas brigas violentas por causa do consumo da cachaça, inclusive citando dados estatísticos! E parece se deliciar com esses detalhes críticos que são mais de grande importância para pesquisas sociais.

Menciona Santo Antônio do Rio das Velhas, que segundo a nota é referência para Santo Antônio do Rio Acima e Santo Antônio do Rio Abaixo! Fala que sua data de fundação era desconhecida, mas sugere que date do mesmo tanto das minas do Batatal (referências a pepitas de ouro que eram encontradas com a mesma facilidade que batatas doces), Soco, Engenho da Água e Papamilho, e diz que todas produziam ouro abundante. Diz que o povoado tinha uma centena de casas em 1801, 1200 habitantes em 1820, e entre 1086 a 1300 habitantes em 1847. Fala que na vizinha Rio Acima, se dormia um sono de morte, que a povoação era bastante silenciosa inclusive em sua capela, mas tinha já casas de comércio e oficinas, agricultura e criação de gado, mas o preço dos transportes impedia a exportação. Aos domingos o pároco discutia os escândalos e não apenas realizava o culto!

Chegando já a falar de Nova Lima, ele começa por Santa Rita, “(…) avistamos à margem esquerda do rio uma igrejinha caiada de branco, Sta. Rita, e , no rio, havia duas pilastras, outrora ponte, ” fala da Mina do Morro da Glória e que pertencia a cinco proprietários, e ali também a Mina de Santa Rita, e reclama que se dizia que ela ficava a uma légua de Morro Velho e diz “se assim for, é a légua mais comprida que já andei na minha vida” deixando claro que o nosso mineiro “logo ali” já era influente naqueles tempos! Fala que essa mina de Santa Rita pertencia a uma Dona Florisbela da Horta “viúva que explorou sua propriedade com a energia brasileira dos tempos antigos”, sugerindo a meu ver o trabalho escravo, e que ali havia ouro, minério de ferro, cristal, e que ali morreram muitos negros, em especial de disenteria e inflamação do peito.

Ele fala que a ponte de Santa Rita era frequentemente reparada pela Companhia Inglesa entre 1853 e anos seguintes, e ganhando seu toque final em 1859, mediante Mr. Gordon. Diz que nas redondezas então da Morro Velho, e já chegado a ela, havia uma propriedade de um Fernão Pais comprada em 1862 pela Grande Companhia por £11.583. Cita novas minas que surgiram como Gaia, Guabiroba, Samambaia, Serviço Novo, Mato Virgem, e outras, fala das intervenções infraestruturais gerando inclusive abertura de cursos artificiais de água, e já tratando da redondeza, que poderíamos entender como o povoado, ou povoados, que hoje são Nova Lima, ele faz esse interessante descritivo o qual repete capítulo adiante:

“Galgamos, então, uma subida de argila vermelha, descemos uma ladeira de igual formação, depois avançamos por outra íngreme elevação, chamada apropriadamente, Monte Vidéu (segundo nota do latim “Montem Video”, “vejo o monte”). Essa Bela Vista ofereceu-nos o primeiro vislumbre de nosso destino e trouxe alegria aos nossos corações. Em frente, erguem-se as altas torres do paredão encimado pelo pico de Curral del Rei, com sua cruz de madeira. mais perto e em um horizonte mais baixo, fica o Morro Velho, também coroado por uma cruz e suportando nos ombros Timbuctu e Boa Vista, os bairros negros de casas de paredes brancas e telhados vermelhos.” (página 172)

Capítulos à frente, ele voltará a falar do Timbucto, como interessado que era em África e seus povos,

“As casas se estendem da margem setentrional do Ribeirão até as elevações, a uma altitude de cerca de 150 metros; ali está o mais alto bairro negro, “Timbuctoo”, saudosa lembrança do que pode ter sido a terra natal, e aqui moram os negros de Cata Branca. A meio caminho, vêem-se as diversas e sombrias estradas da grande mina e, embaixo, ficam outras instalações: ferraria, oficina de trituração e os escritórios da mina.” (página 194)

Falando ainda da cidadezinha de Congonhas “(…) cujo terreno é uma mistura irregular de fundos e saliências, pontilhados de igrejas e vilas, de jardins e de pomares, e embelezada com o curso de um regato cristalino. No morro da direita, a Fazenda Bela Fama, onde a Companhia mantem uma grande tropa de mulas, utilizada para trazer mantimentos e outros artigos. À esquerda há outros montes e outros picos, com os quais dentro em pouco iremos travar conhecimento” e deixa claro que sentiu enorme alegria em chegar a Nova Lima, e tinha imenso interesse em explorar cada uma de suas partes!

Ele demonstra grande interesse no nevoeiro do Monte Vidéu, e no que ele chama de a Região Negra da “Staffordshire brasileira”. Fala da variedade de frutos da mineração, inclusive o ácido sulfúrico ou a obtenção de pigmentos coloridos do barro com plumbagina. Descreve o Bonfim como entrada de Congonhas do Sabará, atual Nova Lima:  “Uma vereda que segue um corte profundo, com os pétreos remanescentes de uma antiquada calçada, algumas cabanas, a capelinha do Bonfim e uma casa grande, de um fornecedor de carvão, constituem a entrada da cidade” (página 172). Fala que os habitantes daqui raramente acordavam antes das 8 horas da manhã, porque centenas trabalhavam à noite e durante o dia.

Menciona a igreja de Nossa Senhora do Pilar de Congonhas do Sabará,  e reclama que aqui os nomes são compridos! Fala que apesar de sonolenta a igreja era bem tratada. Fala que a praça principal “tem algumas casas de dois pavimentos e enfeitadas, e os dignatários da localidade trataram de assegurar a presença de uma necessidade da vida municipal brasileira, o teatro.”, mas reclama de seu estado tendo apenas naquela época “quinze anos” (página 172) que portanto já era importante desde essa época! Fala que a Matriz foi restaurada por um Fr. Francisco de Coriolano e tinha “uma fachada de três janelas e um frontão coroado por uma cruz; as torres apresentam telhados suíços, virados nos cantos, à moda chinesa de Macau; possivelmente é uma derivação inconsciente da imagem adorada pelos pagãos de Pomeco e Tlascalla. Junto à porta gradeada, há um anteparo curiosamente pintado com as cenas da Paixão, além dos quadros representando as quatorze passagens, penduradas nas paredes.” descreve exatamente assim o também Antropólogo Richard Francis Burton na página 173 deste seu maravilhoso livro!

Falando do comércio, cita que aqui já haviam algumas farmácias e um laboratório entre cerca de 20 estabelecimentos comerciais! E sugere que os boticários (antigos médicos) tinham boa renda, segundo ele, apesar da Companhia Inglesa tratar algumas doenças de graça, as pessoas preferiam gastar nos boticários.

Segundo ele, Congonhas do Sabará, tinha em 1830, 1390 habitantes, e em 1864, 6 eleitores, 211 votantes, e 4000 habitantes, somando ainda cerca de 1000 operários-mineiros. Fala de um Hotel Congonhense de um alemão chamado Sr. Gehrcke, que era empregado da Companhia mas ali hospedava quem não trouxesse cartas de apresentação, e diz que ali também vivia um pintor retratista italiano. Ele pessoalmente desgosta da Igreja do Rosário reclamando da “fachada escura do santuário, sem torre, apresenta um sombrio aspecto, com as pedras que fazem lembrar um bastião; uma inacabada coroa de Portugal e um lugar para as Quinas embaixo, contam a sua história” (página 173), mas na sua reclamação, temos a feição antiga da igreja que hoje é bastante diferente da sua origem!

Para a alegria dos cervejeiros de Nova Lima, ele menciona uma cerveja local! A cerveja Inkerman que era fabricada pelo armazém de Alexander & Filhos, e que incluía a mistura da rapadura, o que segundo ele a tornava “um tanto mais capitosa que o mais picante dos maltes escoceses” e que derrubava muito “sujeito robusto, com tanta facilidade quanto faria uma bala dos russos”. (página 173). Fala ainda da cachaça de Mr. Henry D. Cocking, do Departamento dos Ferreiros, do rancho Melo & Cia. (*não consta que sejam meus parentes haha nessa época meus ancestrais Vaz de Mello daqui eram um Coronel e um Capitão, devem ser outros Melo), e que esse rancho tinha como clientes principais os negros (eu pessoalmente prefiro os denominar por africanos, acho mais respeitoso, mas aqui repito o conceito que ele mesmo usa), fala de um velho hospital cujo jardim foi ocupado pelo ex-feitor Capitão Andrew e por um Sr. Antônio Marcos da Rocha, “Encarregado das Matas e Florestas” em Morro Velho, e que foi empregado da mina de Gongo Soco, essa eu sei para as bandas de Barão de Cocais, já tive o prazer de lá estar em meu curso de Arqueologia Histórica.

Menciona como presbítero o Rev. Armstrong. descrevendo sua capela como de “lindas janelas ogivais muito estreitas e uma cruz ultra original” fazendo a capela “destacar-se entre as vilas esparsas e fileiras de casas” (página 174). Menciona a moradia de Mr. James Smyth, “superintendente do departamento de negros”, como um “bonito bangalô anglo-indiano” em uma pequena colina. E que mais além ficava o Hospital novo e as residências dos médicos Doutores M’Intyre e Weir.  Em possível referência ao hospital, fala de uma “Casa da Tranquilidade” e da lembrança dos “encantos das Galashiels“, uma cidade na Escócia, e que o Dr. Weir fazia essa mesma comparação!

E ao falar do que lembra o “Rego dos Carrapatos” usa a expressão “Rei dos Carrapatos”, fazendo menção a um tipo de vegetação! (página 174)

Cita Mr. Gordon, Sr. George Morgan, Mattew, a Casa Grande,  o Sobrado, onde ficavam os hóspedes segundo ele, e que na Casa Grande havia uma varanda construída para poder receber Sua Majestade Imperial, e diz que a cidade é uma “mistura de Petrópolis brasileiro e de Neilgherry de Ootacamund” deixando no ar uma visão Antropológica, que mistura a influência portuguesa com a da Índia,  trazida parcialmente pelos ingleses pela presença de bangalôs, e embora uma visão bastante pitoresca da cidade que poderá assustar ao leitor ou leitora, mas a mim em meu universo científico me enseja ainda mais curiosidades sobre essa época!

No “Capítulo XXI” ele apresenta notas de interesse econômico falando das produções minerais, começando pelo Ouro, e o comparando à produção da Cornualha, Reino Unido, e com um vocabulário bastante mais Geográfico e Geológico, apesar de manter o ponto de vista crítico no sentimentalismo do ouro, no cultivo de “miseráveis batatas” ao invés da exploração das riquezas do solo, reclama da exaltação do diamante, e fala da espera das pessoas a favor da mineração profunda e da liberação de mais campos à agricultura, mas que sabiam que as terras tinham pouco valor por aqui e que o solo não era muito agricultável. Resume o Sistema de Mineração Brasileiro, a Mineração de Ouro pelos Ingleses em Minas, não poupando menções ao Governo Brasileiro, reduzindo suas participações até chegar a 5% em 1853, e em 1854 diz que as mineradoras inglesas alcançaram as mesmas isenções das minerações brasileiras (página 184)., e segue nesse nível de conteúdo se afastando um pouco da localidade, então não me delongarei sobre esse capítulo, embora seja imensamente útil para a compreensão dos processos econômicos que por aqui transcorreram nesse período!

No Capítulo XXII – A VIDA EM MORRO VELHO” regressa falando da mina e das redondezas compreendidas em Congonhas do Sabará, atual Nova Lima, após falar sobre o bairro dos negros, mencionado mais acima, “Timbuctoo” ou “Timbuctu”, ele cita que sobre o clima daqui “o sol queima de dia, as noites esfriam de repente, e como se queixam os que viajam nas regiões montanhosas do Brasil, as quatro estações da Europa se sucedem no espaço de vinte e quatro horas” (página 194).

Fala das moléstia do fígado como frequentes por aqui, e não parece se resumir ao álcool já criticado antes, mas claramente experimentado pelo expedicionário, reclama também do “toucinho defumado gordo”, e diz que propôr uma alteração de costumes era já visto como uma ofensa, e que a pessoa tomava ódio de quem a fizesse mesmo que apresentada como um “novo ponto de vista sobre a questão”!

Fala da fauna alada como composta da andorinha-americana, do sabiá que amenizava a estação chuvosa com seu canto, e que as chuvas eram fortes no meio do ano e que os pirilampos apareciam no fim de julho e desapareciam no início de maio. E que em agosto haviam alguns aguaceiros de chuvas também! Talvez daí a comparação de antes com a Escócia penso eu, país constituinte do Reino Unido famoso pelas chuvas periódicas.

Fala que Mr. Gordon aqui introduziu o “cassareep”  e que seu molho de pimenta era melhor que o óleo de coco. Reclama que os brasileiros jogam fora o suco da mandioca brava que segundo ele pode ser aproveitado de vários modos embora não se aprofunde sobre a questão, embora cite uma dada utilidade dele como veneno que não vou citar aqui para não disseminar a ideia, quem desejar saber procure o livro!

Cita entre os padres Padre Antonio FreitasPadre Joaquim, volta a falar da Casa Grande, e então se debruça em falar do Rego dos Cristais,:

” O único passeio em terreno plano que se pode dar em Morro Velho ou em suas proximidades é ao longo do Rego dos Cristais. Arriscando muita contração __ dolorosa __ subimos o Morro do Depósito e chegamos à aldeia do Retiro, construída em uma encosta. Ali se erguem, em filas sucessivas, casas de aspecto brasileiro, tendo na frente canteiros de flores e verduras” (p. 196)

PORTANTO FICA CONSTATADO QUE NA VISÃO DE UM BRITÂNICO E INGLÊS QUE JARDINS FRONTAIS SÃO COSTUME BRASILEIRO HAHA!

E fala que nesse Rego os jovens ingleses costumavam se refrescar com banhos. Cita a água nascendo do Morro das Cabeceiras, menciona o Morro das Quintas, o Morro dos Ramos, o Morro dos Pires, o córrego dos Cristais, a ravina do Retiro, dando dados de altitudes e distâncias, e referenciando com algumas instalações de mineração inglesa, e uma garganta profunda chamada “Criminoso”.

Cita as “ladainhas inglesas”, nas capelas protestantes, descrevendo que os mecânicos se sentam no lado direito e os mineiros no lado esquerdo. Diz que os cânticos eram os mesmos das cidades de interior do Reino Unido, e não parece satisfeito com o protestantismo, o anglicanismo e o catolicismo ao repetir as críticas de um Dr. Newman que parecia se queixar da falta do “sublime uso da razão”.  (página 197)

Cita um Padre Francisco Petraglia oficiando no outro lado do Ribeirão de Boa Vista em uma capela licenciada pelo Bispo de Mariana. Falando da capela diz “Os ornamentos não são ricos, o ostentório não passa de uma caixa de relógio com raios metálicos e há certa necessidade de ‘um balde com hissope para a aspersão da igreja e para guardar a água benta’. O padre não despreza o joio que se mistura ao trigo, e é muito querido por todos, exceto por aqueles que se mostram contrariados diante da imensa superioridade de seu ardor religioso” (página 197). Ele ainda segue dizendo que às 10:30 da manhã se encontrava na igreja uma multidão predominantemente composta por negros, alguns brasileiros vinham a cavalo, mesmo quando vinham de perto, e o próprio sacristão era homem de tez negra, e diz que o Sr. Antônio Marcos brincava que “em cada telhado de capela há um buraco pelo qual a ‘pinga’ cai diretamente na algibeira do padre” (página 198) repete o expedicionário e cientista Richard Francis Burton certamente desejoso de fazer perpetuadas as críticas já existentes na sociedade da época! Em teoria a presença da crítica reflete alguma liberalidade. Diz que os brancos se tomavam lugar à frente, e os negros atrás, estando os homens em pé e as mulheres sentadas no chão. Segundo ele, somente nas grandes cidades as igrejas tinham bancos para assentar! As missas eram exemplares apesar dessa segregação, e um São Sebastião de porcelanacrivado de setas ocupava uma mesa próxima, e parece que havia uma competição por cultos rápidos com a igreja protestante.

No capítulo seguinte, dessa parte de sua expedição, “CAPÍTULO XXIII – O PASSADO E O PRESENTE DA MINA DA ‘ST. JOHN DEL REY’ MORRO VELHO” ele volta às cifras de 150.000 cruzados em 1725, e £56.434 12 s. 7d., quando vendeu ao Capitão Lyon.  Diz que para os idos de 1825, cada trabalhador recebia um salário de 5,5 gramas de ouro por semana, e que em dois meses a mina extraía dali a cifra de 24:000$000 com 70 escravos. Fala das alterações tecnológicas após 1840, como a introdução do “tirolês Zillerthal” um engenho giratório mecânico, abolindo o uso da bateia. As novas prospecções por Mr. Herring, e o investimento tecnológico que irei omitir aqui por ser técnico embora seja do interesse da pesquisa com certeza! Cita as gestões de Mr. Thomas Treloar em 1846, de Thomas Walker em 1855, e de Mr. Gordon em 1858, e detalhes de rendimentos após esses períodos.

E por fim no “CAPÍTULO XXIV – A VIDA EM MORRO VELHO (continuação)” volta a falar das pessoas e seus costumes. Fala da revista dos negros, ambos os sexos descalços, 1.100 dos 1452 participavam da “reunião” (Richard Francis Burton também escreve aspas nessa palavra), “As mulheres tendo à frente um piquete de doze meninotas, estavam dispostas em companhias de colunas de seis. Todas vestiam uniforme domingueiro: saias de algodão branco, com uma fita vermelha estreita à altura do terço inferior; xale de algodão, riscado de azul e branco e um lenço de cores vivas, geralmente escarlate cobrindo a carapinha”  (página 207) Diz ainda que ao lado direito perpendicularmente eram colocadas as “mulheres de boa conduta”. E continua “O emblema do primeiro ano é uma larga tira vermelha em torno da bainha da saia branca, substituída por tiras da mesma cor e mais estreitas, uma para cada ano, até o número místico de sete, que dá a liberdade.”

Então os ingleses tinham algumas regras um tanto estranhas para conferir a liberdade, mas antes essa regras que não dar a liberdade! Segundo a nota, o período habitual era dez anos, mas em Morro Velho havia sido reduzido humanitariamente.

Os homens ficavam atrás e vestiam “camisas brancas, coletes frouxos de lã azul, bonés vermelhos __ turcos ou ‘glengarry’ __ e calças de algodão.” página 207, enquanto os “homens de boa conduta” vestiam jaquetas e ficavam à esquerda em ângulos retos com o pelotão das mulheres. Essas jaquetas eram “paletós sem manga de sarja azul, com golas e punhos vermelhos, cintos brancos, guarda-pós com riscos vermelhos nas costuras e os bonés habituais” . E assim eram os escravos que trabalhavam para os ingleses, que além de vestidos e com prazo para suas libertações também recebiam alguma remuneração, de 12 cobres a até 20 cobres, segundo Richard Burton.

Fala mais a frente que os negros faziam uma folia baseada numa “Casa da Água Rosada” que Richard Francis Burton vincula ao Manicongo, roupas suntuosas, com enfeites em cabeça, cintura de penas, e outros enfeites, essa folia passeava pelo povoado e tinha fim aparente na Casa Grande, os foliões usavam máscaras de barbas brancas, deixando claro para mim que era o que conhecemos como Congado!

Em Morro Velho as escravas negras grávidas eram temporariamente afastadas do trabalho, então era um desejo delas ter filhos. Mas a mortalidade de bebês era grande, segundo Richard Burton, diz quem em 1452 escravos, nasceram 16 e morreram 32. Volta a falar das gestões inglesas, retratando as questões que envolviam os escravos negros, mencionando de que também haviam os alugados em outras minas como Cata Branca. Fala que se costumava internar homens e mulheres com “úlceras malignas nas extremidades, agravadas talvez pela água contaminada, que segundo se diz, provoca gangrena nas feridas”. (página 210). As doenças do cérebro e dos intestinos, a disenteria e a pleurisia, e às vezes a pneumonia, e algumas doenças venéreas, estavam entre as moléstias mais comuns entre os escravos!  E assim temos no expedicionário também mais detalhes da situação dos escravos e de como foi a escravidão em Nova Lima. Após isso ele tergiversa sobre a escravidão no Brasil, e reclama da colocação do negro “fora de seu centro étnico“. Devemos lembrar que Richard Francis Burton era um estudioso dos Povos Africanos e que lhe deveria desgostar bastante ver aqui esses povos cativos e sem suas culturas de origem!

Mais a frente ele menciona um Capitão Joaquim Felizardo Ribeiro, como fornecedor de pólvora à Companhia Inglesa, para desmonte explosivo de minas. E que o inglês Mr. Gray era quem preparava as “espoletas de tempo”, sendo outras “espoletas” feitas pelas negras. Diz que ainda não havia sido testada a nitroglicerina nessa mineração. Cita um Mr. Wood aparentemente de Salt Lake City, que era do Departamento de Redução, e um Mr. White junior, como agentes de civilização, responsáveis por um teatro para diversões incluindo menestréis negros, cançonetas cômicas, e outras diversões.

Ainda fala um pouco mais da mina Morro Velho em capítulos sucessivos mas já preparando a continuidade de sua Expedição que se seguiria rumo a Roça Grande que parece ser para os lados de Raposos, citando seu ribeirão, no Capítulo XXIX, e então deixo aqui a leitura parada neste ponto para não sair do propósito desta sessão, não desmerecendo Raposos, mesmo porque nessa épocas as gentes de lá e as daqui ainda eram todas sabaraenses, mas este artigo já está imenso né!

 

BIBLIOGRAFIA

BURTON, Richard Francis. VIAGEM DO RIO DE JANEIRO A MORRO VELHO. São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1976. (coleção Reconquista do Brasil, Vol. 36). 366 páginas

 

 

 

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Introdução

Existem estudos de Geo-Estratégia que apontam para um lapso de tempo máximo de resistência formal militar brasileira de apenas 1 hora de combate com os recursos humanos, recursos técnicos e recursos financeiros existentes em caso de uma hipotética invasão do Brasil por terra, mar ou ar. No caso de uma invasão por ar, seria ainda mais restrita essa resistência, porque se limitaria aos esforços aéreos ou terra-ar, mar-ar, e às limitações de deslocamento de unidades pesadas, embora muito eficientes, como a Unidade Astros II, que por exemplo não tem flexibilidade de deslocamento em áreas de montanhas e florestas, exigindo a abertura de estradas por tropa de Engenharia, resultando em dispêndio de tempo. O investimento em caças de alta adaptabilidade em arquitetura modular de acoplagem de dispositivos como o Gripen NG, já tratado neste blog no artigo Gripen NG: 1º Caça para Guerras contra o Desconhecido, foi uma útil alteração do quadro de defesa aérea, mas é ideal que haja a ampliação de aeronaves disponíveis para algumas centenas ao menos, e o desenvolvimento de aeronaves mais sofisticadas que utilizem inclusive o Laser da Lockheed-Martin divertidamente apresentado no artigo Quem venham os Marcianos!!!! para que se possa imaginar uma possibilidade de alargamento da resistência formal em mais algumas horas de combate ao menos. No caso de invasões por terra e mar, talvez nossas Forças Armadas conseguissem maior tempo se as invasões se limitassem a essa modalidade, em muito devido à Operação Guarani já existente entre as tropas da Argentina e do Brasil, e os convênios militares entre Brasil, EUA e Canadá, com intercâmbios inclusive deslocando Destacamentos de Regimentos para treinos em solo uns dos outros, o que dá a presença temporária de Força Armada estrangeira, além dos Tratados que possam surgir dessas parcerias para a possível fixação de bases internacionais mutuamente. Esses são alguns dos esforços Defensivos da esfera do Governo, mas à população e às polícias estaduais, e guardas municipais, cabe a organização de uma resistência informal em termos de Resistência Partisana.

A História das Guerras confirma que a resistência popular foi decisiva em muitos combates, como já falei preliminarmente no artigo A mulher na luta a mulher nos ideais: subsídios a um Feminismo Histórico apresentando algumas mulheres famosas por tomar a frente aos combates, ou ainda podemos citar como exemplos famosos a Resistência dos Guetos de Varsóvia ou a Batalha de Stalingrado, batalha essa famosa por ter sido efetivamente vencida pela resistência armada da população civil russa e ter tido como um de seus maiores heróis a Vassili Zaitsev, um camponês e caçador que se tornaria durante batalha o atirador de elite carrasco dos nazistas, sua história foi descrita romanceada no filme Enemy at the Gates (“Círculo de Fogo”, no Brasil; “Inimigo às portas”, em Portugal), demonstrando a imensa importância da população ter acesso legal às armas bem como saber manuseá-las, como aliás também demonstram a Suíça e a Eslovênia, países de populações armadas com fuzis metralhadoras, e Taxas de Homicídios Intencionais de apenas 0.7 pontos, contra os 4.1 da Palestina, e os 21.0 do Brasil, ou os 33.0 da cidade de Belo Horizonte, cerca de 47,14 vezes mais violenta que a Suíça, país com população mais armada da Europa.

Vassili Zaitsev

A necessidade de controle de HUMINT, SIGINT, OSINT, descritas em artigos como Apontamentos sobre dinamismo em Contra-InteligênciaRecursos da Contrainteligência: combate a Crimes Globais e HUMINT e SIGINT contra as Epidemias: Noções muito Gerais, como métodos de controle de informações e contra-terrorismo sócio-ambiental devem nesse contexto ser estendidas também à população organizada como Partisans, e não apenas nas Forças Armadas Regulares, quanto mais capilarizada e autônoma for a resistência, maiores as chances de sobreviventes, e maiores as chances de vitória. Esse tema também foi preliminarmente abordado em artigos como Imagine uma invasão maciça daqui a 20 anos: o que você fará?Método Administrativo da Segurança Pública por Competência PragmáticaCinturões Defensivos: Tendências para a Segurança TerritorialCronograma de Tarefas Estratégicas para Resistência a Grandes ColapsosDesafios Surpreendentes: Invasão por Origem DesconhecidaApontamentos Estruturais sobre Administração de Segurança Global além das questões que envolvem recuperação frente a crises econômicas como 5 Passos Largos para pequenos e médios municípios retomarem crescimento entre outros artigos que podem ser encontrados pesquisando temas como Globalização e Regulação,  ou nas áreas de Sustentabilidade, ou pela internet a fora, então creio já ter debatido esse tema de modo introdutório várias vezes, e estar apto a descrever um modus operandi  já definido.

Modus Operandi Anti-Invasivo

Quando falamos de Anti-Invasivo nos referimos a todos os recursos humanos, técnicos e financeiros disponíveis para EVITAR A INVASÃO, então esse modelo se resume à criação de cinturões defensivos formados pela associação de radares de detecção ar-ar, terra-ar e mar-ar, por aeronaves, navios, antenas de solo e estações de radar, sonar marítimo, sonar fluvial, radar oceânico, associados a um conjunto de milhares de observadores VFR voluntários, ou idealmente, pelo treino defensivo da população a esse tipo de observação, com maior atenção da população ao que se passa em céu, florestas, montanhas, mares e rios, para o reporte de contextos suspeitos de invasão, avistamentos desconhecidos que sugiram violações a Soberania Nacional, ou aproveitamento das vigilâncias pré-existentes por Climatologistas, Biólogos, Ecologistas e outros monitores ambientais, bem como das próprias polícias e guardas municipais, para que, com o devido treinamento, saibam discernir sobre contextos inusitados e reportar rapidamente ao órgão certo, para o acionamento imediato da resposta por Força Armada. Esse modelo de ação conjunta de tecnologias e população, é um modelo de Modus Operandi Anti-Invasivo funcional.

Nesse Modus Operandi, devem ser Observadores para Informação a Soberania Nacional:

  • Agentes de Correios
  • Agentes e Oficiais de Inteligência
  • Agentes de Saúde inclusive reportando também evidências Epidemiológicas além das observações gerais deste modus operandi
  • Arqueólogos e Historiadores em trabalho de campo
  • Astrofísicos em vigília contínua
  • Biólogos em trabalho de campo
  • Climatologistas em vigília contínua
  • Corpos de Bombeiros Militares e Civis
  • Engenheiros em obras ao ar-livre em especial em áreas fora do acesso de outros observadores
  • Forças Armadas por quaisquer de seus membros hierárquicos
  • Geógrafos e Geólogos em trabalho de campo
  • Guardas Municipais
  • Médicos inclusive reportando também evidências Epidemiológicas além das observações gerais deste modus operandi
  • Policiais Civis
  • Policiais Federais
  • Policiais Militares
  • População em geral, inclusive demais autoridades e população cidadã em geral, em especial as pessoas que se desloquem diariamente pelo espaço físico em que vivem, e tenham um amplo conhecimento das situações habituais ou naturais para saberem discernir o que lhes for realmente diferente, inusitado ou potencialmente suspeito.

Assim teremos um maior leque de possibilidades de observação, e é preciso que cada observador saiba o órgão ao qual reportar para ação imediata, e como diferenciar uma visualização suspeita de um fato conhecido, em especial no que se referir a observações aéreas, porque a hipótese de um ataque repentino por ar é muito mais catastrófica que por terra ou mar aonde há restrições de deslocamentos geográficos por relevos, vegetações e fatores de marés e relevo litorâneo maiores, embora discernir o que é natural por bom conhecimento de fauna e flora, patologias e tecnologias ali possíveis, seja bom a todos o observadores.

Modus Operandi de Resistência Partisana

Esse modus operandi já significa uma situação de invasão em andamento e ataques a cidades sendo feitos, já existe um contexto de caos social e econômico, com aumento de crimes como saques, roubos, vandalismo, estupros, assassinatos, assaltos, enquanto doenças surtam como endemias e epidemias, configurando um colapso típico de guerras.

A primeira condição é que seja decretada a EMERGÊNCIA MARCIAL, e que já existam grupos sociais com organização preliminar na sociedade e interação por parceria de vigilância a polícias, forças armadas, e órgãos de vigilâncias ambiental e sanitária, pré-organizados na sociedade, ou que se organizem por ação das autoridades. Mas o ideal é que até mesmo para coibir os delitos e crimes ambientais, e identificar riscos epidêmicos e de desequilíbrios ecológicos, esses grupos ao menos de modo preliminar já existam previamente, sendo o modelo de RVP (Rede de Vizinhança Protegida) um modelo adaptável no meu julgamento preliminar.

Com um sistema RVP prévio, a capilarização e autonomização de resistência Partisan é mais fácil por facilitar a distribuição e coordenação de armamentos, já existir um conjunto fiscalizador social previamente treinado para observação de delitos, existir uma interação da RVP com fiscalizações sanitárias e ambientais, e portanto é um modelo que pode ser implantado já, que traz benefícios imediatos e possui imensa utilidade em uma situação de invasão e guerra, pois é um modelo de Organização Social Defensiva adaptável a um modus operandi de Resistência Partisan pois já inclui populares entendidos como treinados para a cooperação com autoridades policiais.

A distribuição de armamentos, caso não tenha havido até então a liberação de portes de armas, deve ser feita em contexto de EMERGÊNCIA MARCIAL pelas autoridades policiais e pelas Forças Armadas, que também devem coordenar  a formação e treino de outros grupos similares.

A autonomia energética e hídrica com energias sustentáveis e captação e tratamento de água de chuva é condição sine qua non para a eficiência da Resistência Partisan e o ideal é que já exista previamente à hipótese desse colapso.

Em caso de resistência armada, os grupos de populares devem se valer do conhecimento local e nele permanecer para resistência urbana, ou se deslocarem a locais seguros em florestas e montanhas juntamente com polícias e Forças Armadas em modus operandi próprios para esses contextos ambientais, o que deve acontecer somente se o risco urbano for iminente, pois a evacuação urbana infere a perda de vasta quantia de recursos tecnológicos, materiais, alimentares, e também a perda de conteúdo intelectual, como livros, dvds, e escritos que ao ficarem longe de acesso deixam de poder contribuir socialmente, e há em geral um quadro de redução a níveis mais primitivos de vida quando uma população passa de urbanamente fixada a refugiada.

A resistência urbana deve durar o máximo de tempo o possível, observadas as situações de evacuação quando forem preponderantes, mas mesmo as ruínas ainda oferecem maiores condições de resistência do que campos aonde o ambiente aberto coloca grupos em situação de vulnerabilidade. As florestas se preservadas com fauna e flora naturais tendem a prover recursos hídricos e alimentares desde que os populares e policiais, ou forças armadas, desses grupos estejam suficientemente treinados em Bushcraft e Sobrevivencialismo, treinos que é muito importante sejam dominados pelos populares também, além dos conhecimentos de Medicina Fitoterápica e de Permacultura úteis a uma melhor qualidade de vida em meio a florestas. O combate em florestas é mais difícil a quem invade, então as florestas com formações de grutas e relevos propícios a abrigos camuflados são uma opção interessante à fuga. Mas a resistência nas ruínas possibilita a preservação do conteúdo intelectual devidamente protegido de ataques por compartimentos de subsolo ou digitalização.

A digitalização de conteúdos intelectuais diversos, principalmente manuais e tutoriais técnicos para marcenaria, bricolagem, ferreiros, têxteis, culinária, e tecnologias com materiais reciclados, e também a literatura filosófica e histórica para busca de outras inspirações, e de biologia, climatologia, geologia, em geral, é extremamente útil para preservar o nível civilizatório dos grupos evadidos ou em resistência, e dar continuidade a avanços diversos, que durante guerras tendem a ser eliminados e comprometer a adaptabilidade dos grupos na sua superação aos invasores.

Escaramuças e ataques com técnicas de guerrilha sempre se mostraram efetivos ao longo da história humana, sendo a Resistência dos Povos Celtas, excelente exemplo disso, os Celtas Pictos mesmos foram descritos no filme britânico Centurião por usarem táticas de guerrilha Partisan e exterminarem a IX Legião Romana em guerra de resistência contra a invasão Romana, o filme romanceia é claro, mas a veracidade desse tipo de resistência está em diversos relatos de guerras movidas por Boudicca, Viriato, Vercingetorix, Caradoc, William Wallace, Grace O’Malley, e outros.  William Wallace foi retratado no filme Coração Valente para quem apreciar um filme como introdução. Um bom exemplo a ser estudado é a Revolução Farroupilha que foi uma resistência de longa duração a contexto de colapso de guerra e envolveu diversos deslocamentos inclusive com feitos heroicos como a Travessia dos Lanchões.

Lucílio_de_Albuquerque_-_Expedição_à_Laguna_(detalhe),_1916

Expedição a Laguna, por Lucílio de Albuquerque,

no Instituto de Educação General Flores da Cunha, Porto Alegre

Estudar as táticas de Guerras e de Guerrilhas da Antiguidade à Contemporaneidade, dominar conhecimentos de Permacultura, Fitoterapia, Sobrevivencialismo, Bushcraft, Montanhismo, e produção diversificada com uso de Reciclagem (pois lixo e destroços é o que mais há em guerras), além de conhecimento no manuseio e fabricação de armas, é o que se espera de uma pessoa qualquer, autoridade ou não, que pertença a uma resistência Partisan destinada a enfrentar e vencer a uma invasão hipotética do nosso país.

Tratarei de Táticas em artigos em separado.

 

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Se os governantes  atuais fossem inteligentes já teriam virtualizado parte dos pagamentos como fazem governos de Primeiro Mundo, dinheiro virtual significa realizar parte do pagamento em crédito em cartão eletrônico, que os trabalhadores poderiam usar imediatamente como débito, e o governo assumiria junto às instituições bancárias a promessa de crédito em moeda bruta. Fazendo isso o capital monetário líquido aumentaria sua circulação, a economia teria um crescimento, haveria maior recolhimento de tributos, e o governo teria saldo para honrar seus compromissos com essa quota de pagamento virtualizada. Mas muitos governantes analfabetos funcionais não sabem pelo visto que existe pagamento por promessa de crédito sem ônus ao trabalhador. Também existem sistemas que incluem empresas privadas neste sistema de pagamento.

Aqui neste artigo falarei um pouco destas opções, bem como das restrições e contra-soluções, e sugerirei também Planos B.

Tickets

Os EUA virtualizam seus pagamentos em tickets a mais de 50 anos. O ticket americano pode ser reunido até dar o valor de ofertas disponíveis na Economia Norte-americana que possui grande abertura para eles. Podem ter valores diferentes, e não se resumem a tickets de refeição, são a formalização de documentos de vales com aval jurídico comercial aceito nos EUA. Diferentes tipos de tickets circulam nos EUA mediante o método de uso por portador. O ticket americano compra comida, roupa, eletrônico, e até carro. É uma virtualização monetária que corresponde a dinheiro de instituições financeiras e tem validade reconhecida nos EUA, e evidentemente aceita pelo trabalhador que o recebe, ou pelo consumidor que o ganha em promoções comerciais diversas. O ticket é o modelo de promessa de crédito mais acessível a empresas de capital privado. No Brasil são cada vez menos as empresas que aceitam vales-refeição como pagamentos, porque essa política de virtualização de moeda aqui foi muito mal estruturada. 

Títulos de Promessa de Crédito e Títulos de Troca

Aqui entendidos como os acordos entre instituições financeiras acima de tudo de tipo bancário e empresas privadas ou empresas pública, ou dessas instituições financeiras diretamente aos governos, mediante acordos que permitam a exploração de ganhos ainda futuros, visando a gerar tempo para a recuperação financeira. Nesse sistema, os bancos se tornam credores, os devedores serão os governos, empresas privada ou empresas públicas, e os trabalhadores serão beneficiados sem ônus para eles, e no máximo com regras de carência.

Como funciona

Um governo pode vincular sua promessa de crédito a instituição bancária com ganhos a médio e longo prazos em renda bruta e líquida de coisas como royalties petrolíferos, minerais e outros títulos de ganho previsível. Não existem grandes chances de prejuízo de médio a longo prazo para royalties extrativos, embora em alguns casos existam limitações legais das quais tratarei mais adiante, então, qualquer instituição bancária aceitaria a troca de recursos financeiros por promessa de ganhos futuros nesses moldes porque são operações financeiras de risco muito baixo, já que a tendência natural desses recursos é a de valorizar no mercado internacional em especial com a descoberta de novos usos, sempre recordando que petróleo não é usado apenas para combustível mas para vasta quantia de polímeros, além também do nióbio que o Brasil detém a maior quantia de jazidas do mundo e é um recurso desvalorizado economicamente no Brasil e que teria uma facilidade de valorização muito grande com a exportação por instituições financeiras, melhor que o governo ao menos. Nenhum banco de posse de quotas de nióbio ou de seus royalties venderia o nióbio a preço de banana sendo que o mundo inteiro o usa e só os EUA importariam de 30% a 50 da nossa produção, a tendência de especulação de cotações do nióbio ou outro recurso extrativo qualquer por uma instituição bancária é muito mais previsível do que a venda imediata, porque nessa espera do momento ideal, pode-se lucrar milhões ou bilhões de dólares só com a diferença de cotações, um jeito muito mais fácil de obter recursos financeiros. Por outro lado, a chance de retorno de divisas para o Brasil com a tributação das operações financeiras também seria imensa, e a tributação das operações financeiras é muito mais automática e mais fácil de ser auditada do que outras tributações, ampliando as chances de lisura e relação ética entre credores e devedores.

Riscos

A virtualização da moeda deve ser em quota e não integral porque é um direito do cidadão o saque do capital bruto, a moeda propriamente dita, e se isso acontecer com dinheiro virtualizado, um banco pode ir à bancarrota como aconteceu com o Barão de Mauá. Então acordos entre instituições bancárias e governos ou empresas quaisquer, precisam prever que o banco irá assumir apenas uma quota do capital a ser pago aos trabalhadores mediante cartão eletrônico com possibilidade de débito. Nesse tipo de acordo, o trabalhador não está recebendo um empréstimo nem se trata de LIS e sim ele recebe o pagamento de parte de seu ganho em dinheiro do banco mas com a condicionante de fazer seu uso mediante cartão eletrônico, ou ticket se for o caso, assim, o banco protela o direito a saque, e o dinheiro real que corresponde a esse pagamento demora mais a ser efetivamente sacado, gerando nessa demora entre instituições bancárias pequenos rendimentos que no entanto servem de compensações aos próprios bancos, e ou aos portadores de fato desses créditos em capital nominal. O uso do ticket é ainda melhor para bancos porque ele opera como uma promessa de crédito de circulação mais demorada no comércio, tendendo a ser trocado várias vezes até que alguém decida enfim o depositar ou o sacar na instituição responsável. O único risco portanto, é o direito de saque, a solução é adotar o ticket impresso ou eletrônico, ou adotar um cartão eletrônico que tenha direito de débito eletrônico mas direito de saque com carência. O banco deve possuir capital bruto em moeda suficiente para cobrir a quota total de saques de trabalhadores assim remunerados, para evitar que a falta de recursos monetários o quebre ou o reverta a condição de devedor, o ideal é que essa quota esteja muito abaixo de seu capital de giro, e que esse dinheiro circule eletronicamente em entradas e saídas várias vezes para que hajam repetidas operações tributárias com ele, devolvendo ao banco parte dessas rendas e também ao governo remetendo impostos como o IOF que não incide sobre o dinheiro físico quando passa de um portador a outro, mas incide no dinheiro virtualizado das operações financeiras.

Outro fator de risco é o da catástrofe ambiental ou da quebra empresarial, no caso de royalty gerado por iniciativa privada,  mas no caso da catástrofe gerar perda de renda extrativa, a maioria das empresas sérias do mundo faz seguros contra esses perigos, acredito que no Brasil não seja diferente, e a própria instituição bancária pode assumir esse seguro em parceria com o setor privado. Também é possível a instituição bancária assegurar perdas de capitais, hoje em dia o comércio de seguros tem as mais diversas opções segundo já fui informado por pessoas do setor. 

Limitações e Contra-Soluções

A maior limitação ao uso dos royalties minerais são a Lei Federal 8.876/94  e a  Lei Federal 7.999/89 que estabelecem os usos da CFEM (Compensação Financeira de Extração Mineral), tratando também de quem fiscaliza, e de outros recursos como os hídricos. Essas leis dão poderes ao DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) de normatizar os royalties da mineração com portarias e com base em outros decretos, de modo que segundo o mesmo:

“Os recursos originados da CFEM, não poderão ser aplicados em pagamento de dívida ou no quadro permanente de pessoal da União, dos Estados, Distrito Federal e dos Municípios.

As respectivas receitas deverão ser aplicadas em projetos, que direta ou indiretamente revertam em prol da comunidade local, na forma de melhoria da infra-estrutura, da qualidade ambiental, da saúde e educação.”

Fonte: DNPM/ Perambuco

No entanto a Lei Federal 7999/89 estabelece uma brecha que está no Art. 8º “§ 2o  Os recursos originários das compensações financeiras a que se refere este artigo poderão ser utilizados também para capitalização de fundos de previdência”.

Brecha que pode ser trabalhada por Advocacia da União para efetuar pagamento futuro a trabalhadores.

Outro recurso é buscar a anuência do Ministério Público e de Tribunais competentes para que esses royalties, minerais ou hídricos, sejam trocados a instituições financeiras com a promessa de que essas assumam no tempo presente os investimentos sociais, educacionais e de infraestruturas que os governos teriam de assumir com a CFEM, e assim esse capital de uso público possa ser acumulado para a capitalização nos fundos de previdência conforme a brecha da Lei Federal, com a promessa e anuência ao repasse de pagamento futuro, à instituição bancária com os royalties futuros (o que teria impeditivo legal a priori) ou com outros tributos livres ao pagamento de dívidas, ou explorações de serviços como pedágios, multas de infrações, ou a melhor contra-solução ao meu ver pela imensa flexibilidade, ideal para municípios com vasta quantia de florestas nativas, que é a troca em Créditos de Carbono, que são a financeirização de um recurso natural em alta, que é a preservação ambiental, e tem quase nenhuma limitação ao livre acordo com instituições bancárias, tendo como única condicionante a co-participação de empresa de corretagem específica para esse mercado.

A instituição bancária assume um crédito virtual que existe em caixa mas será usado em cartão eletrônico, para a população na forma de cartões de crédito com opção de débito aos moldes dos bônus de fidelidade ou das cartas de crédito e prêmios similares, em uso comercial qualquer, em troca o governante que é o responsável pelo acordo, promete ao banco dada quota sobre royalties futuros de dada extração ou recurso hídrico ou energético, ou de Créditos de carbono de dado lugar já demarcado e com ações pré-existentes, caso a população deseje fazer o saque em dinheiro, o banco terá como arcar usando o critério da quota de que é previamente capaz, mas isso não é muito previsível mesmo no Brasil, além do mais podem ser impostas regras de carência. Quando chega a data da troca,o banco assume os tais royalties com expectativa de lucrar porcentagens acima do valor nominalmente repassado aos funcionários públicos, e assim também similarmente com empresas, essas mediante o sistema de tickets (vales ao portador) em moldes norte-americanos.

Outro viés, ideal a governos nacionais, é apelar à Legislação Internacional como argumento superior às limitações da Lei Federal, no entendimento de que se estará evitando o genocídio, ou que a população se sujeite a situações desumanas, durante períodos de graves crises financeiras ou de “crash” econômico como agora. Esse tipo de argumentação pode ser feito mediante medidas provisórias ou decretos, e emendas à lei, e teria facilmente o aval de organizações internacionais como OEA, ONU, OIT, FAO, UNODC e OMS, que diante dessa argumentação não poderiam apresentar questionamentos éticos porque o bem do coletivo, da população, deve se sobrepôr a qualquer contexto. A legislação brasileira também apresenta atenuantes no CPP (Código do Processo Penal) como agir em defesa de terceiros ou agir em defesa da pátria. Então para ampliar o uso e a flexibilidade desses royalties, um governo nacional teria argumentação ao seu alcance bastante sólida, e essa decisão geraria precedente jurídico aos Estados e Municípios.

Outra opção é que a negociação seja diretamente ao setor privado para que a instituição financeira receba uma quota de lucro, capital líquido, futuro, e não propriamente os royalties em si, e mediante a parceria como setor privado, a empresa assuma as responsabilidades sociais, educacionais, e outras mais junto à população, para que o município possa usar os royalties para a capitalização em fundo previdenciário com permitiria brecha da lei. Ou a empresa, no caso privada, em relação direta ao banco, pode fazer esse tipo de acordo comercial com ainda mais liberdade para pagamento de seus funcionários, já que o Direito Trabalhista, o Direito Civil e o Direito Comercial são mais flexíveis que outras disposições legais como as de royalties.

Segurança e Estabilidade

Atrelar a economia a instituições financeiras não é ruim quando essas em casos como esse se tornam co-responsáveis pelo sucesso, na verdade fazer isso é mais seguro do que pedir empréstimo. O banco vai dizer “nós prometemos a quota “X” de dinheiro aos trabalhadores, nós asseguramos a extração, mas entre os anos tal e tal, a porcentagem “Y” desses royalties serão nossas”, bancos sérios não brincam e sabem especular. Recursos como petróleo e energia hídrica talvez sejam mais flexíveis a isso que os recursos minerais. E para além desses os recursos da preservação ambiental gerando Créditos de Carbono são imensamente flexíveis.

Quando um banco opera com crédito/débito de dinheiro virtualizado, ou seja, não havendo a necessidade de saque, ele na verdade usa o dinheiro real em operações rentáveis o tempo todo, além de gerar arrecadação tributária repetidas vezes, então não é difícil para um banco assumir esse tipo de compromisso com regras de carência bem definidas, e para o trabalhador a as empresas é melhor que ficar sem dinheiro circulando.

Nesse tipo de medida econômica, o devedor é o governo, o credor o banco, o trabalhador é beneficiado sem ônus além talvez da carência, mas o credor já recebe como garantia a promessa de explorar um recurso considerado de baixo risco em uma data futura. É interessante que essa data futura considere um período de recuperação financeira e econômica, até mesmo para significar a expectativa de lucro para a instituição financeira, lucro que também é tributado, diga-se de passagem, a menos que sejam anexados subsídios ou isenções no acordo.

Não se trata propriamente de um empréstimo porque o governo não recebe nenhum dinheiro e a responsabilidade de gerar o benefício é do banco, mas é uma troca comercial válida.

O sistema de tickets é ainda mais seguro e estável se for bem estruturado e aceitar valores diferentes e uso mais amplo. O ticket eletrônico já existe no Brasil em modalidades como bônus de fidelização. Operadoras de telefonia fazem uso de certa modalidade de dinheiro virtual ao criar sistemas de pontuação com bônus, embora você não enxergue isso, mas é um modo de eles serem pagos com um dinheiro não tributado (o bônus virtual) que existe para aumentar a renda líquida do capital bruto (moeda), mas numa outra modalidade de virtualização monetária que visa a gerar benefícios para o consumidor sem gerar prejuízo ao prestador, que muito pelo contrário, entra num processo de aumento de lucratividade. O estímulo ao uso para gerar os bônus de fidelização na verdade gera mais lucro à operadora, e esse bônus que corresponde a um valor em dinheiro e pode ser trocado como desconto em serviços ou equipamentos, é um dinheiro que não está sendo tributado pois aparece como um prêmio de fidelização, mas a relação de troca em si é uma relação de troca econômica monetária pois existe a regra de correspondência da pontuação em valor em dinheiro. Até ao momento, o governo do Brasil não tributa os bônus de fidelização em pontuações mesmo eles equivalendo a dinheiro, porque esse dinheiro é virtual, é um prêmio, se o prêmio fosse em dinheiro bruto para livre uso, incorreria na tributação do imposto de renda além do ICMS.

E há uma infinitude de outras garantias que um governo pode dar a uma instituição financeira como: acordo de exploração de pedágios, Créditos de carbono (muito fácil de fazer, muito complicado de entender mas tem as empresas de corretagem próprias não se preocupe), e nos tributos que possam ser usados para pagamentos de dívidas mas lançados em prazos futuros. Créditos de carbono é um excelente plano B para municípios com muitas florestas nativas como Nova Lima por exemplo. Mas com a argumentação correta as demais situações podem ser trabalhadas nacionalmente ou mesmo estadualmente e municipalmente, ou com as possibilidades de parceria a Iniciativa Privada. E em um sistema em que todos são co-responsáveis exceto o trabalhador, a não ser pela carência, as chances de progresso social e econômico são bastante promissoras.

FAQ de Dúvidas

“Se a empresa privada tem dinheiro para assumir responsabilidades sociais do município, porque não paga seus funcionários ao invés do banco?”

Resp. Nem sempre o recurso necessário a essas responsabilidades sociais será similar aos pagamentos, porque empresas como mineradoras, por exemplo, possuem estrutura para por exemplo, levantar uma escola, um posto de saúde, usando seus materiais pré-existentes ou o fato de os adquirir em distribuidores a preços mais baixos, e o volume de pagamentos ainda estaria parcialmente virtualizado, preservando inclusive o capital de giro da empresa que poderia ser investido em seguros para benefício da própria empresa. Bastam as projeções de lucro entre setor privado e financeiro serem bem feitas, que a participação da iniciativa privada, que nesse caso ainda poderia receber a depender do município outros subsídios e isenções, se torna benéfica a ela própria. O município ganha com a redução de gastos que deveriam ser cobertos pela CFEM, que perante a brecha da lei liberaria esses recursos ou parte deles para os fundos de capitalização para previdência conforme a brecha da Lei Federal. E o poder público pode usar os royalties pela brecha supracitada da Lei Federal 7999/89 que está no Art. 8º “§ 2o Os recursos originários das compensações financeiras a que se refere este artigo poderão ser utilizados também para capitalização de fundos de previdência”.

Mas tem que se fazer direito hein!

Não venham os incompetentes fazer errado e depois me incomodar haha. Sigam os modelos dos países que fazem essas trocas e promessas de crédito, como os EUA, e outros mais, e busquem a sábia consultoria do Mercado Financeiro com seus especialistas apropriados.

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O trabalho Virtualização Monetária: Amenizando crise financeira com Promessa de Crédito e Títulos de Troca de Gustavo Augusto Bardo está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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Que venham os Marcianos!!!!

Publicado: 24 de abril de 2016 por Gustavo Augusto Bardo em História das Armas, Tecnologia Futura

Diretamente do canal da Lockheed Martin, vídeo com a sua mais sofisticada arma de combate, um Laser Bélico para Caças de Combate, agora sim estamos avançando a patamares de um século XXI condizente com os desafios que estiverem por vir, quais sejam!

(Ponto mais interessante: a partir de 0:35)

Fim da pólvora, mais precisão, e maiores capacidades no combate a aeronaves muito mais velozes!

 

 

 

 

Posso começar esse artigo fazendo gancho a meus próprios antepassados Celtas e à rainha-guerreira Boadiceia ou Boudicca, nome que significaria “a portadora da vitória”, apelido ganho em combate por Breaca Níc Graine, da tribo dos Eceni  ou Icenos, Celtas, rainha que deu contra o Império Romano uma das mais intensas e avassaladoras Guerras de Resistência jamais antes vistas, dela se fez filme e se fez livros, sendo o mais famoso a então série, no Brasil por ora apenas três volumosos livros, de obra épica e ficcional com referências históricas e antropológicas, “Boudicca” da best-seller policial, a autora escocesa e xamã Manda Scott. Mas a fora as citações linkadas, acho que será muito melhor retratada quando se ler essa obra que a despeito de romanceada capturou toda a energia das mulheres Celtas de quem nem sempre se preservou a memória, não por impropriedade de seus feitos, mas sim porque os Celtas só tardiamente tiveram acesso à escrita literária, sendo a maioria do que se sabe de sua própria história, versões Romanas ou Gregas, ou da posterior literatura cristã monasterial Irlandesa.

Filme Britânico sobre Boudicca, Queen Warrior.

Entre os Celtas, cultura e identidade étnica em que as mulheres eram livres na grande maioria das etnias a exercer o ofício da Guerra e a escolher seus companheiros, ou companheiras, ou a vida só, há certamente a diversidade de mulheres, pois eram bastante comuns combatendo junto aos homens no fragor das batalhas, e para essa mulher celta popular cujos feitos não foram retratados pelas narrativas em cantos seculares, ficou a alma expressa pelo cinema e pela literatura em mulheres lendárias como Guinevere ou Gwenhwyfar, a lendária princesa-guerreira dos Bretões Galeses,

King Arthur (2004), dirigido por Antoine Fuqua

Ou a representativa mas fictícia Etain, interpretada por Olga Kurylenko, personagem do filme britânico Centurião, que a despeito de sua inexistência pessoal histórica, é o retrato comumente resumido da mulher guerreira Celta, ou ainda da mulher da tribo dos Pictos. A sua importância é tão marcante que a personagem Etain a despeito do fim fatal, virou um dos ícones dos Movimentos Identitários Celtas contemporâneos, assim como a versão de Guinevere retratada no filme Rei Arthur dirigido por Antoine Fuqua.

 

No filme Centurião outras mulheres-guerreiras estão entre personagens secundários ou figuração de batalha, pois realmente eram comuns as mulheres em combate. 

Ao longo da história, veremos ainda mulheres como Joana D’Arc de quem se escreveu livros e se fez mais de uma produção cinematográfica, sendo ainda dotada de Hagiografia. Ou ainda novamente com as etnias Celtas, a Irlandesa Grace O’Malley, a Rainha dos Piratas da Irlanda, que empreendeu diversos ataques bem sucedidos contra navios de guerra ingleses em seus esforços de libertação da Irlanda e para combater a fome e a tortura que a Coroa Inglesa infringia a seus conterrâneos, e é considerada por muitos uma das pioneiras das táticas de guerrilha partisan do mundo, e uma das precursoras dos movimentos independentistas Irlandeses de séculos posteriores.

Em Portugal, na Idade Média temos a portuguesa Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota, uma figura lendária e heroína portuguesa, cujo nome anda associado à vitória dos portugueses, contra as forças castelhanas, na Batalha de Aljubarrota (1385). Ela teria morto sete soldados de Castela com uma pá de padeiro, e se valendo da estreiteza da abertura pela qual esses saíam, lhes gerando traumatismo craniano, e além disso ainda teria organizado uma milícia de mulheres que auxilio no combate contra os invasores.

Em outra ocasião, a catalã Agustina Raimunda María Saragossa i Domènech  chamada “A Donzela de Saragoça” ajudou as tropas de soldados de maneira extremamente audaciosa durante a Guerra da Independência Espanhola, assumindo o Comando da Artilharia! É considerada a representação da mulher Íbera ou ainda da mulher Catalã (os catalães são íberos para quem não souber).

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Agustina de Aragón, por Augusto Ferrer-Dalmau (2012).

Também na Guerra de Independência Espanhola, contra as tropas Napoleônicas, mas já ao lado dos Castelhanos de Madri, está nas memórias das mulheres guerreiras a heroína Manuela Malasaña Oñoro que integrou o Levante de 2 de maio lutando armada das suas tesouras de costura.

No Brasil não faltaram as mulheres guerreiras desde cedo, e engana-se muito e severamente quem equivocadamente coloca em fatos e pessoas mais recentes as lutas e o destemor das mulheres brasileiras. É a Monarquia e não a República ou a Democracia que nos dão as primeiras grandes heroínas do Brasil, seja lutando a seu favor seja lutando contra, seja sob sua égide provocando mudanças drásticas e profundas.

Já no início da Colonização, temos a resistência religiosa da judaizante e cristã-nova Branca Dias,  que já abre o Século XVI nos primórdios do Brasil lutando contra a Intolerância Religiosa, pregando ideais espiritualistas diferentes de tudo que ali havia, e é considerada por muitos como a antecessora do Espiritismo no Brasil, porque sua linha judaica possuía crenças que eram similares a esse movimento de vários séculos posteriores.

Também em tempos coloniais, temos em meio à Inconfidência Mineira, o papel de destaque como benfeitora financeira e rebelde idealista, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, a mulher Inconfidente e Conjurada, envolvida ativamente na luta anticolonialista e libertária dos ideais Iluministas. Figura como umas das primeiras mulheres revolucionárias do Brasil.

A PRIMEIRA MULHER A LUTAR PELO BRASIL ao menos em tropas regulares e com soldo, foi a soldado Maria Quitéria que vestia farda Imperial e lutou pela Independência do Brasil, considerada a primeira mulher militar da História do Brasil.

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Retrato póstumo de Maria Quitéria (Domenico Failutti, 1920)

É também durante o Império e no contexto da Revolução da República Juliana e da Revolução Farroupilha, que se torna uma das primeiras guerrilheiras partisans do Brasil a linda e destemida Anita Garibaldi, também uma das primeiras mulheres do Brasil a fazer das calças masculinas o seu traje cotidiano, pois lhe era mais cômodo para o combate.  Destemida no manuseio das armas de fogo, e lutando mesmo antes de conhecer aquele que se tornaria seu marido, o revolucionário Carbonário Giuseppe Garibaldi, Anita, nascida Ana Maria de Jesus Ribeiro era defensora dos Direitos Liberais Republicanos e também Abolicionista. Foi retratada pela atriz Giovanna Antonelli na minissérie da Globo A Casa das Sete Mulheres, baseada na obra homônima. Por lutar pela liberdade tanto do Brasil quanto da Itália, é chamada de a Heroina dos Dois Mundos, tendo o título de heroína nacional tanto no Brasil quanto na Itália. A revolução e os ideais não a impediram de exercer sua feminilidade, tendo sido mãe mesmo em campo de combate. Era considerada para os padrões de sua época, uma das mulheres mais lindas que havia!

E por fim para encerrar esse artigo, a PRIMEIRA MULHER A GOVERNAR O BRASIL, que não foi de modo algum quem de tempos mais recentes possa pensar o leitor ou leitora, mas sim uma mulher com fortes e intensas ideias abolicionistas, uma mulher que teve por três curtos governos, extremamente curtos, em poucos meses, o poder total do imperador e o soube aproveitar oportunamente com uma das mais drásticas e profundas alterações da história do Brasil, antes de dizer o que foi feito e como, a mencionemos, a Princesa Isabel, sim ela mesma! Ainda que tenha sido obliterado pela República Velha e seja por vezes esquecido pelos ativistas da Democracia contemporânea, couberam à Princesa Isabel, três regências do Brasil com poderes totais do Imperador, mais poder do que qualquer presidente da República jamais teve ou imaginou, e foi assim, que a cada parco conjunto de meses foi introduzindo na Legislação Brasileira os ideais Abolicionistas, sancionando em sua 1ª Regência, a Lei do Ventre Livre, que já libertava os filhos dos escravos, e assim seguindo de maneira destemida, foi após sua 3ª Regência, e  já no Senado, que promulgou a Lei Áurea, dando fim definitivo à Escravidão no Brasil, libertando os que ainda restavam escravos, e passando o Trabalho Escravo desde então no Brasil ao status de Prática Criminosa e Ato Lesivo ao Indivíduo.  Alterações após alterações preparou o caminho para sua derradeira e mais gloriosa tarefa, como a Primeira Senadora do Brasil, momento sim esse quando a Princesa Isabel assinou a Lei Aurea para trazer à prática das Leis as suas ideias abolicionistas, contrárias aos interesses de quase a totalidade dos que detinham os poderes econômicos, e colocou em risco a própria monarquia, mas com destemor e certa de que fazia o correto, assumiu naquela hora o seu destino! Portanto, essa sim, foi a primeira mulher a governar com poderes plenos o Brasil e foi a primeira mulher que depois de fazê-lo ainda assumiu um cargo político e deu continuidade a seus ideais os consumando no mais glorioso de todos, o fim da Escravidão e o início sim de lutas por melhorias sociais sim, por parte daqueles que resistiam, mas agora com o aval da Lei e sem a necessidade de conflitos violentos como os de revoltas anteriores.

E assim encerro essas notas com a certeza de que há muitas outras mulheres de quem eu poderia falar, nos séculos entre o XVI e o XX do que falei, mas mais certo estou de que cumpri minha tarefa de desmistificar quem se arroga a vitória das vozes do passado, porque o que passou não deixou de existir, mas saiu dos fatos para entrar na inexorável memória dos sonhos e aspirações mais altivos! Se o Feminismo buscar sua inspiração no Abolicionismo e no Anticolonialismo, estou certo de que além desses exemplos se encontrará muitos outros de mulheres que se inspiraram nessas, e que ainda hoje estão na perenidade do tempo como pessoas de imensa presença, que transborda atos de bravura e destemor, mesmo aquelas que tiveram de ser corajosas com assinaturas em papel.

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O trabalho A mulher na luta a mulher nos ideais: subsídios a um Feminismo Histórico de Gustavo Augusto Bardo está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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Ideal para projetos de inovação, esse método consiste na ideia essencial de que qualquer inovação se divida entre os componentes Tecnológicos, os componentes de Mercado (ou Marketing), e os componentes de Implementação, e que cada grupo de componentes deva ser idealmente da fração o maior descritiva quanto possível sendo a quantia de 17 componentes a apresentada nas canvas usadas neste método.

Em tecnologia, para cada definição de um componente, há a definição de um método de pesquisa. Então aqui nesta canva temos no exemplo apenas 14 componentes para a inovação “óculos” (“eyeglasses” em inglês), o que é uma análise abaixo do ideal mínimo de 17 mas satisfatória para essa demonstração.

canvas-blog

Abaixo uma visualização material da análise de um par de “óculos” buscando reunir seus componentes tecnológicos, observando três tipos de “óculos”.

eyeglasses

A fragmentação do produto em partes componentes e a análise comparativa de alternativas, é recomendável para uma boa síntese de tecnologias disponíveis ou viáveis, e dessa irão derivar as fragmentações dos processos de Marketing e de Implementação, então a Pesquisa precisa estar introduzida metodicamente em todas as etapas.

Na canva seguinte, para esses componentes se desenvolverá os aspectos entorno da questão de como apresentar publicitariamente a inovação “óculos” nos componentes de Mercado, com 17 componentes:

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Note que ao prescrever um Método de Pesquisa que componentes diferentes podem se fazer associados tanto na etapa de Tecnologia quanto na etapa de Marketing. Na etapa de Implementação, no entanto, os componentes do processo se referem ao modo como as etapas Tecnologia e Marketing são efetivamente realizadas, e pode-se vislumbrar a mescla desses conceitos ao se imaginar por exemplo um par de óculos tecnologicamente avançado mas com etapas de pinturas e desenhos para alcançar determinado público alvo, então na Implementação é uma etapa um pouco diferenciada por refletir a necessidade de realizar de modo mesclado as etapas anteriores. A canvas de Implementação, também com 17 componentes ficaria para esse exemplo algo assim:

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Novamente com a descrição de métodos de pesquisa para os componentes dos processos.

Então esse método possui três etapas gerais:

  1. Tecnologia
  2. Mercado (Marketing)
  3. Implementação

Cada um dos quais fragmentado em um ideal de 17 fragmentações de partes dessas etapas em relação ao produto final. E cada uma dessas etapas com as definições dos Métodos de Pesquisa para cada conjunto de componentes de cada etapa.

Mediante a construção dessas três canvas se poderá obter a consideração do Orçamento, as Percepções Tributárias bem como possíveis Subsídios ou Benefícios, mensurar os possíveis Impactos Ambientais e antecipar as alterações analisando os componentes dos três processos de base da inovação, e ainda sobrepôr diferentes porcentagens de lucratividade, tendo em vista a melhor visão panorâmica das partes do processo de Inovação.

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O trabalho Método dos 17 Aspectos em 3 Etapas do Massachussetts Institute of Technology de Gustavo Augusto Bardo está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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Este artigo “Conceito Essencial de Ataque Aéreo por Triangulação usando Aeronaves Convencionais” é apenas uma introdução geral sobre uma sugestão de como se poderia derrubar uma hipotética aeronave inimiga que possuísse uma propulsão que lhe possibilitasse três vetores ou mais de deslocamento Geoespacial.

Aqui considero que uma aeronave de combate a propulsão a jato só possa se deslocar atualmente em 2 vetores, o vetor horizontal frontal e o vetor tangencial utilizando as alterações das posições dos flaps das asas e rabo (parte traseira) da aeronave quando houver um flap lá. Uma aeronave convencional em vôo só pode seguir para frente e se mover para os lados, o que inclui os movimentos de volta para retorno e loop, ela não possui meios de efetuar a ré nem pode ainda no momento se deslocar verticalmente, com exceção das aeronaves semelhantes ao Sea Harrier (BAE), que antecipo, é extremamente interessante que sejam continuadas e aperfeiçoadas, o Sea Harrier não pode ser, de modo algum, um projeto abandonado.

Tecnologia de Vetor Vertical de Deslocamento do Sea Harrier precisa ser continuada e precisa ser desenvolvida para se obter um vetor de deslocamento aéreo durante vôo também vertical:

Por enquanto o vetor vertical do Sea Harrier é útil somente em decolagem e aterrissagem, porque depende da superfície de oposição da pista ou porta-aviões:

Introdução Lógica

O Primeiro passo é conscientizar de que se uma aeronave possuir um vetor de deslocamento diferenciado como dar ré ou descer e subir verticalmente, que no exercício de uma estratégia 3D, poderá usar os vetores horizontal e tangencial para outras camadas do Geoespaço em que o alcance por projéteis das aeronaves convencionais seja inexistente, então, ao triangular se está tentando fechar esse ângulo com base em um ataque por perspectiva de fundo aonde uma das aeronaves convencionais está posicionada em estado de bloqueio, e não espera, e deve participar do ataque no mesmo instante que as demais. É um ataque síncrono, e precisa ser calculado para evitar o deslocamento da aeronave hipotética em qualquer dos três vetores.

Para triangulação podemos conceber um mínimo de três aeronaves, e um ideal de cinco aeronaves convencionais. Com um Sea Harrier que já houvesse evoluído também a um vetor de vôo vertical seria possível triangular com apenas 3 aeronaves com maior segurança, mas se a triangulação com 3 aeronaves convencionais quaisquer fechar o vetor horizontal, o vetor tangencial e o vetor vertical acredito que seja possível derrubar imediatamente ou avariar seriamente uma aeronave que disponha de uma propulsão diferenciada com mais vetores de deslocamento.

Triangulando com Aeronaves Convencionais

É preciso ter consciência de que uma aeronave convencional terá de usar o armamento disponível para sua capacidade de deslocamento que se resume a bombas de solo, mísseis de diferentes alcances, e a metralhadora.  Já existe um Laser da Marinha Americana, mas é muito grande para adaptação em aeronaves de ataque tipo caça.

Mas futuramente talvez a metralhadora possa ser trocada por lasers e assim haja uma melhor cobertura do disparo em um dado vetor e uma maior rapidez direcional cobrindo melhor os vetores derivados da movimentação 3D da aeronave hipotética.

Em uma triangulação com três aeronaves convencionais, as posições de formação são, necessariamente:

  • Horizontal traseira (em relação ao caça): o caça está com a aeronave hipotética à sua frente;
  • Tangencial: o caça cobre algum dos ângulos vazios de deslocamento lateral da aeronave hipotética;
  • Vertical: o caça está necessariamente acima da aeronave hipotética.

Nessa formação, a aeronave horizontal traseira poderá utilizar mísseis de baixo impacto ou metralhadora, porque não pode colocar as outras aeronaves convencionais em risco, pois é uma formação de combate com relativa proximidade Geoespacial. A aeronave convencional vertical disparará sincronamente uma bomba solo de semelhante impacto, enquanto a aeronave convencional tangencial fará o disparo síncrono de míssil ou metralhadora de baixos impactos.

Esse tipo de ataque visa a causar danos periféricos na aeronave de propulsão hipotética com 3 vetores de deslocamento ou levar seus pilotos a estado de confusão mental e falha técnica.

Em uma triangulação com cinco aeronaves convencionais, as posições de formação são:

  • Horizontal traseira (em relação ao caça): o caça está com a aeronave hipotética à sua frente;
  • Tangencial 1: a aeronave convencional fecha um deslocamento lateral;
  • Tangencial 2: a aeronave convencional fecha o outro deslocamento lateral;
  • Vertical : o caça está necessariamente acima da aeronave hipotética;
  • Horizontal Líbero: se posiciona acima da Horizontal traseira em estado inicial de espera.

Participam desse combate a Horizontal traseira com míssil ou metralhadora de baixo impacto, as Tangenciais 1 e 2 necessariamente com metralhadoras para evitar o fogo amigo em vetor cruzado ao máximo, se um tangencial acertar ao outro, sendo interessante manter a precaução de uma pequena variação em graus nas linhas de vetores do deslocamento tangencial para que estejam em linhas de disparos um pouco inclinadas ou diferenciadas, isso depende muito da aeronave e dos armamentos não há como eu descrever isso aqui sem conhecimento técnico das capacidades de cada aeronave em uso, mas tenho certeza de que um aviador de combate entenderá o que eu disse. A Vertical continua com a bomba de solo contra o topo da aeronave hipotética. A Horizontal Líbero aguarda com mísseis no ângulo de fuga de ré da aeronave hipotética, como é perigoso ela cobrir o ângulo inferior, abaixo, devido ao lance de bomba pela Vertical, ela só poderá cobrir a fuga de ré por cima. Mas sendo uma aeronave em estado de espera, ela também pode se deslocar rapidamente atrás da aeronave hipotética e assumir a posição de Horizontal Traseira enquanto em nova triangulação as tangenciais e a vertical assumem suas posições, e a Horizontal Traseira assume a posição de Horizontal Líbero.

Este é um artigo meramente introdutório do conceito geral da Formação de Combate por Triangulação, um ataque síncrono em 3 vetores de deslocamento.

Mais além

Recomenda-se o abandono do armamento bélico com projéteis em favor do uso de lasers e disparos de frequências de onda de campo eletromagnético, que possem em teoria condições mais definíveis de distância de alcance por envolver disparos contínuos fixos e não projéteis que uma vez lançados estão sujeitos a forças físicas. Assim podendo  tanto evitar o fogo amigo quanto cobrir mais rapidamente vetores de deslocamento derivados, será bastante mais efetivo.

Conceito de Triangulação por Deslocamento Alfanumérico

Um acréscimo ao artigo, é interessante o desenvolvimento de coordenadas geoespaciais 3d,um modelo que eu proponho aqui ainda em uma versão preliminar é a sobreposição de um modelo de gradação de ângulos de 0 a 360º semelhante ao já usado no combate por “direcional de horas” que sobrepõe as horas do relógio ao quadrante de 360 graus, a um modelo de coordenadas 3d alfabéticas usando como base o Modelo da Tabela de Pitágoras, completado por um símbolo qualquer, aqui no exemplo é @ (arroba).

Sprite 7

Cada linha de letras corresponde a um plano da estrutura dinâmica 3d geoespacial, e a escala numérica simples de Pitágoras será a estrutura numérica de deslocamento, aonde em cada plano alfabético existem as coordenadas do quadrante de 360 graus . Nessa sugestão ainda muito preliminar, a comunicação AK 48 por exemplo, significaria que a aeronave em tangencial A K, descreve uma posição inclinada em relação ao alvo, e se desloca em um ângulo de 48 graus dentro do quadrante.

Sprite 19

O Quadrante pertence ao plano de cada dimensão 3d, as colunas Pitagóricas definem as variações de deslocamentos, estipulando quais letras de cada plano vertical são correspondentes verticalmente.

Usando uma comparação: AK 48 é igual uma colher para fora de uma xícara, a colher está inclinada em relação ao centro do copo, na posição tangente desenhada entre os pontos vertical A e K de colunas justapostas não correspondentes, e gira, guiada pela borda do copo, cerca de 48 graus, ou melhor, para a posição de 48 graus do quadrante que está embaixo da base do copo que pode ser uma xícara pra ficar mais fácil de entender

Uma comunicação DX se referiria a uma tangencial entre colunas mais afastadas, por exemplo, se fosse DX 7 ela se deslocaria em uma curta variação de apenas 7 graus no quadrante.

Usando cada Horizonte como um plano, poderíamos ainda aperfeiçoar esse modelo, colocando tabuleiros de quadrantes, no lugar dos conceitos de horizontes. E assim :

Sprite 7

E assim acredito que embora preliminar, o modelo esteja de mais fácil compreensão, percebendo que A, J, S por exemplo, correspondente à mesma coluna vertical, assim como, por exemplo, D, M, e V, correspondem à mesma coluna B, K e T, e à mesma coluna G, P e X, portanto quando se fala em AK se fala em uma linha de perspectiva de fundo inclinada entre colunas diferentes de dois planos de horizontes diferentes, e essa é a visão que a nave tem do alvo, que no caso, estaria na posição U.

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Você já pensou em viajar no tempo? E viajar no espaço? Esse é fácil, para viajar no espaço basta pagar uma passagem de ônibus, ôxe eu sei elas andam caras hoje em dia por aqui mas ainda assim é mais barato do que viajar no tempo, exceto é claro no presente para o futuro, essa viagem já fazemos mesmo parados no espaço, pelo simples fato de estarmos vivos! Mas é claro que você precisa viajar no espaço ao menos até à geladeira ou ao supermercado se não desejar que sua viagem no tempo acabe com sua morte por inanição, uau! Então, agora você sabe que já viaja no tempo e no espaço, mas isso não significa que você possa mudar seu passado, ficar com aquela gostosa, comprar mais barato na loja seguinte, votar num político menos pior, ir naquele protesto no lugar daquele encontro, embora eu preferisse ir no encontro do que no protesto, mas não vou debater isso aqui haha, e olhe que já fui em protestos humpf. Bom, porque primeiro que existem centenas de teorias sobre o Tempo, algumas consideram ser verdadeiramente impossível se mudar o passado porque qualquer alteração geraria um outro continuum de eventos, e um futuro diferente, então não seria alteração do passado, mas criação de outra dimensão, noutras teorias, mesmo que pudéssemos voltar ao passado, não poderíamos alterar porque seria como se fôssemos fantasmas telespectadores, já que ainda não existimos daquele modo, e estamos em algum lugar do futuro, sumindo após termos voltado, talvez alguém pense que fomos abduzidos por Alienígenas ou sequestrados por traficantes de órgãos. Enfim há as teorias da interação total. E também as teorias que preferem viajar para o futuro.

Mas quando se fala em singularidade de buraco-de-verme ou em inglês wormhole estamos falando em uma conexão entre dimensões diferentes de uma dobra ou curva do mesmo espaço-tempo em que estamos, que é como um atalho e não uma máquina do tempo, o que há dentro dessa curva, podemos chamar de transespaço e o que há dentro do wormhole, podemos chamar de hiperespaço ou hyperspace em inglês. O conceito de transespaço ainda não é comum, mas essa é a acepção dele que dou aqui, é um espaço físico interno à curva e obedece a leis físicas semelhantes ao lado oposto em que estamos, mas talvez com mais pressões eletromagnéticas e quem sabe umas marés e tempestades, e não estou seguro de que um wormhole que é um túnel natural cosmologicamente numa curva de transespaço possa ser fixo, talvez ele oscile nessa maré, e ao mudar de posição possa levar a outros lugares, e quem sabe a outras épocas do lado oposto.

Wormhole

Fonte: What is a Wormhole?

Uma singularidade buraco-de-verme não precisa ser feita pela humanidade nem por alienígenas, é uma consequência natural de dados processos da formação de um buraco-negro, ou basicamente dois buracos-negros conectados e com condições internas propícias a uma travessia segura, como um atalho, um túnel. Embora existam teorias que deixem a entender a intenção de se gerar artificialmente uma singularidade dessas com velocidades acima da velocidade da luz, a princípio, supondo a existência de um, não há necessidade nenhuma para se imaginar esse dispêndio de verba para amparo científico, embora ao menos testes laboratoriais sejam interessantes, e com sorte nosso planeta Terra será sugado para uma dimensão em que não hajam impostos haha, bom essa é uma brincadeira, porque se nosso planeta fosse comprimido a ponto de caber num buraco-de-verme feito em laboratório, ficaria tão denso que provavelmente se tornaria um buraco-negro sugando para dentro de si tudo a sua volta, principalmente os cientistas e o experimento, e nosso sistema solar.

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Fonte: Wormhole Wonders: Hunting Down Spacetime Shortcuts

Então entender um buraco-de-verme como uma singularidade natural, um wormhole, é fácil, é um túnel de uma lateral do espaço-tempo curvado a outra lateral do espaço-tempo curvado, formada por dois buracos-negros ou blackholes, interconectados que sob condições específicas geram um equilíbrio energético e eletromagnético propício a uma travessia segura de um lado ao outro, mas é claro que isso envolve muitos Cálculos Matemáticos de Física Teorética, mas na prática é algo que pode existir naturalmente, embora haja gente tentando calcular como dobra o espaço tempo para gerar esse atalho, e gente tentando calcular como furar o atalho na marra mesmo sem saber se o espaço-tempo está mesmo tão dobrado assim, e há as teorias cosmológicas nisso como as teorias das P-Branas, e muitas mais, mas hoje em dia as P-Branas parecem predominar. Eu recomendo estudar os livros de Stephen Hawking, Kip Thorne, Carl Sagan, e Michio Kaku para se ter uma introdução geral desse assunto com possibilidades de aprofundamento através desses mesmos autores. Quem quiser peguntar para o Stephen Hawking algo inteligente, os emails S.W.Hawking@damtp.cam.ac.ukProf.Hawking@damtp.cam.ac.uk talvez funcionem, mas leia os livros primeiro que o cara aí é ocupado hein! Outra opção é o Anderson Institute, que tem um material didático interessante.

Anderson Institute

Fonte: Wormholes: An Overview and Comparison by Dr. David Lewis Anderson

Mas é bom meu leitor e leitora começarem a compreender esse assunto, vai que alienígenas do nada resolvem nos invadir, precisamos saber por onde poderiam vir? Ou quem sabe por onde se poderia fugir haha? Ou talvez, pior ainda, os alienígenas sejamos nós! Enfim, há várias teorias mas em todas é preciso você fazer cálculos ou pelo menos entender como a conta foi feita, okay, assim como para dirigir um carro não precisa de você entender de Física da Combustão nem de Engenharia Mecatrônica, quem sabe para levantar vôo em futuras tecnologias aeroespaciais, também não, mas em ambas você precisa saber como se comportar para não se acidentar nem explodir!

Bibliografia Recomendada

  • DAVIES, Paul. O ENIGMA DO TEMPO: A revolução iniciada por Einstein. 2 ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000. 413 p.
  • HAWKING, Stephen. A NATUREZA DO ESPAÇO E DO TEMPO. 2 ed. Campinas: Papirus, 2001. 160 p.
  • HAWKING, Stephen. O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ. São Paulo: Mandarim, 2001. 215 p.
  • HAWKING, Stephen. UMA BREVE HISTÓRIA DO TEMPO: Do Big Bang aos Buracos Negros. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
  • KAKU, Michio. HIPERESPAÇO: Uma odisseia científica através de universos paralelos, empenamentos do tempo, e a décima dimensão. Rio de Janeiro: Rocco, 2002 (col. Ciência Atual). 382 p.
  • SAGAN, Carl. COSMOS.  (várias editoras e também como dvd)

 

Licença Creative Commons
O trabalho Transespaço, Hiperespaço e Singularidades de Buracos-de-Verme de Gustavo Augusto Bardo está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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Aqui abordarei sinteticamente um dos vários Métodos utilizáveis por Stakeholders Managers ou Social Work Policy Makers para a busca de soluções para contextos críticos de uma dada sociedade ou de um dado momento de uma sociedade ou conjunto social: O Eightfold Path, como é chamado em inglês, ou Método do Caminho Óctuplo, entendendo que os 8 passos ou etapas estejam inseridos inexoravelmente dentro de um processo único e constituindo portanto um sistema próprio.

Esse método é relativamente fácil, embora não cubra todas as situações possíveis, acredito que tenha um vasto leque de possibilidades em sua abrangência.

Ele se constitui de oito etapas processuais contínuas e lineares divididas em quatro etapas maiores.

1ª Etapa : Escopo (Definição do Âmbito):

Scoping em inglês, nesta etapa é necessário que se contextualize o problema. Uma boa compreensão de História, Antropologia, Psicologia e Economia pode ser interessante para a melhor panoramização desse conteúdo. Nele está um só dos caminhos, o 1º que é justamente Definir o Problema (1). Para definir o problema não basta escolher um dos aspectos que se deseja resolver, mas ir para além das soluções imaginadas intuitivamente e perscrutar o contexto atrás do problema em que todos os demais questionamentos e buscas se enraízam. Note que o problema nem sempre é aquilo que gera a estatística, um exemplo, se existir o questionamento entre derrubar árvores para alargar uma pista e preservar as árvores mas permitir colisões de veículos em árvores, nenhuma desses duas questões encerra o problema, essas são evidências do problema, ou problemas secundários. O problema real e oculto nesse problema seria o motivo pelo qual os carros colidem, que pode ser a falta de um asfalto com maior aderência por exemplo, então nesse caso o problema seria as colisões dos carros, e o modo correto de buscar soluções é também analisando os fatores que os levam a colidir e não apenas a geografia ao redor das colisões em si. A solução pode ser muito mais simples do que se imagina se o problema for corretamente percebido! Um problema mal percebido pode levar a problemas ainda piores pela falta de solução dada ao problema raiz que continuaria existindo nesse contexto.

2ª Etapa : Ideativa

Nessa etapa há três caminhos:

  1. Reunir alguma evidência  (2): agir como um Cientista Forense faria e tentar encontrar os aspectos que dão questionamentos secundários ao problema, podem ser outros problemas secundários ou dúvidas ainda não possuidoras de alternativas ou levantadas pelas partes envolvidas no problema raiz.
  2. Construir as alternativas  (3):  uma vez percebidos os problemas secundários e levantadas as indagações pendentes, temos um rol de tópicos para pesquisa que já nos permite enumerar possibilidades. Então se derrubar árvores e fazer uma zona de escape parece uma alternativa, alterar o asfaltamento por outro com maior aderência também precisa estar entre as alternativas, entre outras que se possa ver, aproveitando o exemplo dado neste artigo.
  3. Selecionar os Critérios  (4): quais metodologias você usará para ampliar as alternativas em relação aos problemas secundários e ao problema raiz é a pergunta sendo feita agora? O que você acredita como Ético, é um bom modo de restringir os princípios a serem seguidos. É óbvio que devem se basear na Legislação, então o passo a passo dos critérios pode até incluir buscar a opinião do IBAMA, por exemplo, mas nesse caso não se resolveu o problema e sim se transferiu ele a outro. Se escolheu fazer a zona de escape sem a consulta correta ao panorama, e se seguiu o passo a passo jurídico para isso, passando toda a responsabilidade ao governo. Esse modo não é eficaz para resolver as colisões pois nada no que se refere à mecânica do movimento dos veículos que continuam na mesma pista exatamente com o mesmo tipo de asfalto e fazer um prolongamento disso poderá muito pelo contrário gerar colisões em outros pontos, ou outros tipos de colisões, pois sendo a segurança um critério que se deva enumerar nesse exemplo, torna-se perceptível sua precariedade no sentido de que a suposta solução não altera o comportamento dos veículos nem afeta sua dinâmica motora para uma direção mais protetiva. Então selecionar os princípios a serem os pressupostos metodológicos para solucionar o problema se refere ao modo como se deseja abordar o problema e o tipo de solução que se deseja no tocante à sua eficiência.

3ª Etapa:  Analítica

Dois caminhos se desdobram agora que você tem o problema raiz, os problemas secundários que incluem as dúvidas e as soluções preliminares, uma lista de alternativas amplamente pesquisada, que no caso pode incluir a zona de escape, a preservação das árvores, um asfalto aderente, melhor sinalização, paradas obrigatórias, fiscalização por Recursos Humanos, multas contra excesso de velocidade, alteração do formato da via, melhores proteções contra colisões, campanhas educativas, etc. apenas refletindo algumas possibilidades com base no exemplo, e os critérios a partir dos quais você pretende analisar as alternativas, como ética ambiental e segurança veicular, etc. Então ao analisar você irá forçosamente eliminar as alternativas ruins ou deficitárias, e talvez ver outras soluções ainda fora de acesso intelectivo. A análise é composta de dois caminhos:

  1. Projeto dos Resultados  (5): ou Outcomes em inglês, nesse caminho que é o quinto caminho geral você irá enumerar os resultados desejados, como por exemplo, preservar as árvores que também sofrem com as colisões, e proteger os motoristas e os veículos, e gerar gastos que tenham um bom custo-benefício e que também sejam economicamente interessantes para quem realiza a tarefa de reforma viária, e outros resultados como agradar a opinião popular também incidem nos mecanismos de propaganda, e se a floresta a ser derrubada for administrada pelas mesmas pessoas que administram a via urbana, ainda existem possibilidades de reversão de lucro com a preservação como o crédito-carbono de modo que existem inclusive perspectivas ocultas como “fazer as florestas serem lucrativas para a empresa mantenedora” que não podem ser esquecidas do conjunto de resultados desejados pois podem gerar vínculo a outras soluções que resolvam outras tensões e conflitos e nesse tipo de assessoria é preponderante fazer com que uma ação social ou ambiental também seja um bom negócio público ou corporativo, pois a sociedade é composta de diversos interesses.
  2. Construir as Trocas (6): ou Tradeoffs em inglês, nesse caminho as partes interessadas abrem precedentes às concessões de interesses e podemos efetivamente reunir o que é adequado a cada stakehold ou parte interessada, e então preservar e proteger as árvores contra colisões acaba reduzindo os danos das colisões nos veículos se for de forma adequada e segura, e alterar o asfaltamento para um asfalto aderente como por exemplo o asfalto-borracha que tem maior aderência, irá gerar um gasto a mais de cerca de 50% mas irá também aumentar em 33% a durabilidade além de alterar a permeabilidade do asfalto e lhe dará também maior resistência térmica, evitando trincas em variações de temperaturas, propagando menos calor para o ambiente,  que além de preservar ainda mais o ecossistema próximo contra efeitos de abafamento e aquecimento climático também deverá aumentar a sensação de bem-estar dos motoristas, e a floresta ainda representa possibilidade de lucro se for vista como possibilidade de troca em crédito-carbono, além dos benefícios à imagem da empresa mantenedora que se tornará inclusive passível de disputa a prêmios de Ecologia e Sustentabilidade, e agrega benefícios publicitários que vão para muito além do que se teria de gastar para convencer a opinião pública de que destruir a floresta foi a melhor opção, e convencer a opinião pública também envolve o risco de enfrentar o Ministério Público e atrasos judiciais em obras, então escolhendo soluções que atendam a todas as partes interessadas, além de se agir eticamente também se evita os problemas subsequentes de um questionamento jurídico sobre a possibilidade de falta de Ética.

4ª Etapa: Relatório

Ou em inglês Reporting,  inclui os dois últimos caminhos:

  1. Decidir (7) : uma vez de posse dos resultados desejados e das trocas realizadas, a decisão fecha o acordo fina que pode ser o projeto assinado pelas partes como um Contrato Social, ou um projeto elaborado tendo atenção o que ficou obtido dessa análise, pode ser uma opção jurídica ou não, mas necessariamente é uma decisão final e envolve todos os planos referentes às soluções enumeradas nas trocas.
  2. Contar a sua História (8):  é a parte publicitária e jornalística de como levar as soluções finais a conhecimento público, essa parte deve resumir acima de tudo as trocas realizadas e reunir os benefícios de cada uma, inclusive sociais, ambientais, tecnológicos, financeiros e cronológicos e é já a peça de divulgação, podendo inclusive se agregar a Folder para Campanha Educativa e Informativa aos motoristas que terão essas novidades pela frente.

 

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O trabalho Método do Caminho Óctuplo da Universidade de Berkeley de Gustavo Augusto Bardo está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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